Diretor de serviço da Cáritas Diocesana de Leiria – Fátima dá conta da rede de solidariedade que uma «instituição com sete funcionários» conseguiu montar para responder aos problemas causados pela tempestade Kristin naquele território

Lisboa, 11 mar 2026 (Ecclesia) – Nelson Costa, diretor de serviço da Cáritas Diocesana de Leiria – Fátima, disse que a instituição de ação social da Igreja católica tem de ter “sempre” a porta aberta, no acolhimento a todos e na disponibilidade para receber.
“Não se pode fechar para ninguém: desde a pessoa mais pobre, à pessoa mais rica, desde à pessoa que seja de outra religião, que tenha outro sentido de orientação sexual, tem que ser transversal a toda a dimensão do ser humano. E a tempestade que abalou a área territorial da Diocese de Leiria-Fátima mostrou-nos mesmo isso”, conta à Agência ECCLESIA.
“Nós somos o rosto da caridade da Igreja. E desde o dia 27 de janeiro, mais uma vez se provou, com muito esforço e com muita dedicação, que somos uma casa de porta aberta”, acrescenta.
A tempestade Kristin que se fez sentir em Portugal na noite de 27 para 28 de janeiro destruiu, na região de Leiria, muitas habitações, empresas, danificou estradas, postos de eletricidade e comunicações; a Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, procurando organizar a solidariedade que chegou a esta instituição, abriu uma conta bancária e recebeu mais de dois milhões de euros em donativos.
O diretor de serviços desta instituição de ação social da Igreja católica assegura a confiança recebida mas a responsabilidade de “honrar” cada donativo recebido.
“A Cáritas diocesana de Leiria-Fátima é uma instituição de confiança e tudo fará para honrar cada cêntimo, cada pacote de arroz, cada pasta de dentes que nos foi confiado. Espero, daqui a um ou dois anos, marcar uma conferência de imprensa para dizer que apoiámos X famílias, gastámos X dinheiro”, dá conta.
Nelson Costa dá conta de procedimentos burocráticos que apesar da morosidade que introduzem permite assegurar a transparência necessária e a responsabilidade.
Perante a “angústia” de tantas pessoas vítimas da tempestade que veem o tempo a passar Nelson Costa assegura a compreensão necessária.
“Estamos a falar de pessoas que viram o seu espaço de conforto destruído. Algumas delas não têm seguros; há uma família que ficou sem carro e este é o meio fundamental para continuar a ter trabalho; há desemprego, perdas de rendimentos; falta verbas para o pagamento de, por exemplo, terapia para os filhos. São exemplos que nos chegam. Nós criámos uma plataforma para as pessoas submeterem os seus pedidos e não vamos esquecer ninguém”, assegura.
O responsável recorda que para além do apoio económico ou alimentar a equipa percebeu a necessidade de apoio emocional, disponibilizando técnicos para ir “de casa em casa”, reconhecer situações e prestar acompanhamento.
“Tentamos sempre estar em estreita articulação com o poder local, com as autarquias, com as juntas de freguesia. Este fundo não será só para a reconstrução das casas. Consideramos que as pessoas podem nos acusar que poderíamos estar a ser um pouco burocráticos nisto, mas é forma também de nós, mais uma vez, respeitarmos e de dignificarmos os normativos que nos são entregues”, justifica.
Para além dos donativos que chegaram à Cáritas, foram muitos os voluntários que se disponibilizaram para ajudar em tarefas imediatas.
“Recordo-me que na quarta-feira montámos um fogão a gás e cozinhei para os colaboradores da instituição. Na quinta-feira apresentou-se um voluntário com uma motosserra para nos ajudar e estivemos até às 22h a desobstruir vias. Uma instituição que tem sete colaboradores montou uma operação que eu nunca pensei que conseguiríamos organizar”, recorda.
Um mês e meio depois da tempestade Kristin, Nelson Costa assegura que o território vai ter capacidade para se reconstruir: “Vai demorar tempo mas tenho fé e esperança que nos vamos reerguer. E a própria instituição vai-se ter que readaptar com a responsabilidade que lhe é pedida”, finaliza.
A conversa com Nelson Costa pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA com emissão na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e disponibilizado no podcast «Alarga a tua tenda».
LS
