Bispo auxiliar de Braga percorreu pela primeira vez, a pé, o caminho até Compostela

Lisboa, 25 jul 12018 (Ecclesia) – O bispo auxiliar de Braga, D. Nuno Almeida, percorreu pela primeira vez, a pé, o caminho até Santiago de Compostela, numa experiência desejada há muito e agora considerada “um treino para a vida”.

“Tinha o desejo no coração há muitos anos e este ano pensei: tinha q ser; precisava de treino intensivo da fraternidade mística que o Papa nos fala”, contou, em declarações à Agência ECCLESIA.

O prelado fez-se acompanhar de um pequeno grupo: um sacerdote, um diácono e uma leiga que, com ele, fizeram esta peregrinação de “contemplação” e despojamento.

“Foi peregrinar em atitude de oração, fazer esta experiência, por um lado a contemplação mas depois o amor concreto no esforço, e atenção aos outros, no esquecimento de nós próprios para ajudar outros a caminhar”, explica.

D. Nuno Almeida partiu de Pontevedra, a cerca de 70 km de Santiago de Compostela, tendo tido uma preparação espiritual mais intensa do que fisicamente; confessou que não sentiu dificuldades no caminho e “por sorte não fez bolhas”.

“Tentei encontrar a roupa e calçado adequado e fui fazendo o caminho com esta grande vontade a partir de dentro. Só senti cansaço e o calor mas houve momentos em que parecia que o albergue não chegava”, referiu.

Na última etapa do caminho, onde já se vai avistando a Catedral de Santiago, o bispo sentiu a grande experiência de fraternidade e o contacto com outros peregrinos fez o grupo aumentar.

“Nesses quilómetros o grupo aumentou, nessa última etapa Deus dá-nos irmãos e irmãs, senti que era esse o objetivo; Deus coloca pessoas, também na nossa vida, e estamos disponíveis. Cruzámo-nos, por exemplo, com um grupo de seminaristas de Braga, que ainda não conhecia e foi uma ótima oportunidade”, contou.

Do caminho, o prelado trouxe na mochila da vida a necessidade de “não programar demasiado” e, mesmo no seu magistério, “estar aberto às surpresa de Deus”.

O peregrino D. Nuno Almeida espera voltar ao caminho, “nas férias e talvez com uma mochila mais leve”, uma lição que aprendeu, até por outros destinos de peregrinação mas sempre com este propósito.

“A nossa vida, o nosso magistério é ligado a um território, a uma diocese, a uma cultura e tradições como no Minho, e que é muito belo mas a dimensão de peregrinação, anima e este aspeto às vezes está esquecido”, conclui.

O Caminho de Santiago remonta ao século IX, designa as diferentes rotas usadas pelos peregrinos para chegarem à catedral de Santiago de Compostela, Espanha, e atravessa a Europa, “desde os confins da Rússia e da Escandinávia até à bacia do Mediterrâneo e às costas das Ilhas Britânicas”.

A Igreja Católica celebra hoje a festa litúrgica de São Tiago, apóstolo.

SN

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