Iniciativa que junta o caminho português e francês quer agradecer aos profissionais que “garantiram vida” em tempo de pandemia

Foto: Guilherme Rodrigues

Porto, 11 jul 2020 (Ecclesia) – Guilherme Rodrigues, peregrino de Santiago de Compostela e da organização da homenagem, disse à Agência ECCLESIA antes de partir que se trata de um caminho especial onde a “mochila com a luz acesa passa de costas em costas” até ao destino. 

“A ideia é a mochila ganhar pernas e ir passando a luz de costas em costas, a Luz do Caminho, este sábado do Porto a Vilarinho, faz cinco km com cada pessoa, com todos os cuidados necessários porque a ideia é homenagear e nunca aumentar os casos covid”, explica à Agência ECCLESIA.

O entrevistado confessou ainda que os peregrinos que vão andar no caminho vão ser convidados a transportar a mochila com a luz, “sejam de outras nacionalidades e religiões, para que pudessem ser tocados pela iniciativa”. 

Este peregrino que já percorreu os caminhos até Compostela dez vezes aceitou o desafio de organizar esta homenagem no caminho português mas que segue por Espanha onde há também uma organização para “homenagear os profissionais que trabalharam em tempo de pandemia”.

“Vamos homenagear todos os profissionais, desde médicos, enfermeiros, auxiliares, funcionários de limpeza e de transportes, todos os que trabalharam em tempo de pandemia para garantir vida aos outros e isso é comovente mas também por todas as vítimas mortais de covid e por todos os que faleceram neste tempo”, refere.

A luz que segue na mochila foi acesa pelo cónego Amadeu, esta sexta-feira, na catedral do Porto, numa Eucaristia onde os peregrinos que iniciam o caminho estiveram presentes numa “primeira etapa que dá sentido a todo o caminho”.

“O padre Amadeu percebeu o espírito da iniciativa e só faltava esta primeira etapa para iniciar, foi um momento muito bonito a bênção da mochila para entrar no espírito do caminho”, aponta Guilherme Rodrigues. 

Foto: Guilherme Rodrigues

Antes de partirem este sábado, da Sé do Porto, o pequeno grupo fez “uma pequena introspeção”, rumo a Valença, “alguns sem se conhecerem”, e já com as etapas bem alinhadas, sabem que em cada localidade haverá gente à espera para levar a mochila.

“A mochila, além da vela, de gel e spray desinfetante, leva também um pequeno caderno para que cada peregrino possa deixar por escrito uma mensagem, oração ou uma frase do caminho; depois a mochila, caderno e cajado serão entregues na catedral de Santiago”, explica.

A iniciativa original foi de Jesus Ciordia, que com a inestimável ajuda de Mariló López, organizaram e participam no projecto que se leva a cabo no caminho francês, e que se unem a este grupo para entrar juntos em Santiago de Compostela no dia 24 de Julho.

SN

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