Juliana Castro e André Alves estão em São Lourenço dos Órgãos, onde a Covid-19 alterou os planos

São Lourenço dos Órgãos, Cabo Verde, 17 abr 2020 (Ecclesia) – Juliana Castro e André Alves vivem um ano de missão em Cabo Verde, desde outubro de 2019, numa parceria entre o Voluntariado Missionário Espiritano e a Sol Sem Fronteiras (Solsef), e viram agora a Covid-19 alterar os seus planos.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, André admite que nada os preparou para “uma situação deste género”, de confinamento e distanciamento das populações que se tinham proposto servir.

“É uma sensação estranha, vira de cabeça para o ar tudo o que tínhamos planeado”, assinala.

Nos planos do casal está já a possibilidade de voltar ao arquipélago, para concluir o que começaram neste projeto de voluntariado em São Lourenço dos Órgãos, no centro da Ilha de Santiago em Cabo Verde, onde colaboram no Jardim de Infância Marilúcia, na promoção de aulas de inglês para a comunidade e no Curso de Atendimento ao Público, na área de Hotelaria; a par disso, são responsáveis pela formação de 200 jovens da paróquia para o Crisma.

Com as aulas e atividades comunitárias em suspenso, são agora outros os desafios.

“Aqui em Cabo Verde também se está a tentar implementar um sistema de telescola, com alguns materiais online, mas fica muito difícil”, assinala André Alves.

“Em tempos normais, a missão funciona quase como um Hub, onde as pessoas podem encontrar-se, até para formação”, acrescenta.

Os voluntários assinalam as “assimetrias” do país, entre a Cidade da Praia e as comunidades do interior, destacando ainda as diferenças com os amigos em Portugal, que “já correram o catálogo todo do Netflix” durante o tempo de isolamento social.

Casados há dois anos, os voluntários portugueses resolveram fazer uma “experiência em conjunto”, antecedida pela formação necessária, junto da Fundação Fé e Cooperação (FEC), da Conferência Episcopal Portuguesa.

Juliana Castro sublinha o impacto do isolamento numa comunidade em que muitas famílias não têm eletricidade ou água.

“Nós temos sorte, conseguimos ver as notícias, em Portugal também, estando a par” e mantendo contacto com as pessoas, admite.

A voluntária considera que, por parte da população cabo-verdiana, houve noção do risco e da necessidade de ficar em casa, “a palavra de ordem que passa em todo o lado”, com polícias na rua e anúncios na TV para lavar as mãos e manter o isolamento social.

“O povo cabo-verdiano é um povo que está habituado a estar na rua, a trabalhar nos campos, a vender nas ruas”, assinala, pelo que vai ser difícil para as pessoas que têm de manter o seu sustento.

Com o arquipélago em estado de emergência devido à covid-19 desde 29 de março, o presidente de Cabo Verde declarou esta quinta-feira que vai pedir a renovação da medida, mas de forma diferenciada entre ilhas.

OC

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