“Cada forasteiro é uma ocasião de encontro” é o tema desta semana nacional de Migrações

Celestina e Esmeralda – Agencia Ecclesia/SN

Lisboa, 13 ago 2018 (Ecclesia) – As cabo-verdianas Celestina Spínola e Esmeralda Vieira vivem em Portugal e pertencem à Capelania dos Africanos, numa felicidade de acolhimento, vivência de fé e onde “sentem um pouco de Cabo Verde”.

Celestina Spínola veio a Portugal há 19 anos para visitar Fátima, por altura do 13 de maio, e por aqui ficou em Portugal onde arranjou trabalho e formou família.

“Vim de férias, deixei cabo Verde com a certeza de voltar. Acabei por ficar, vi-me aqui sozinha e a realidade começou a ser difícil. Mas fui bem acolhida e fui sendo feliz”, contou à Ecclesia esta costureira.

Por seu lado Esmeralda Vieira deixou Cabo Verde há 38 anos porque “arranjou um namorado” que vivia em Portugal e depois acabou por casar.

“Como tínhamos casado eu vim para cá para ter com ele, com alguma tristeza, mas quando cá cheguei percebi que iria viver um sonho mas, entretanto, depois de três anos de casada, o meu marido faleceu e o sonho acabou; continuei por cá com essa boa memória”, lamentou em declarações à Ecclesia.

Duas chegadas diferentes ao nosso país, em épocas diferentes mas que se encontraram na Capelania dos Africanos em Lisboa, espaço de comunidade do povo africano que promove várias atividades e tenta manter vivas as suas tradições.

Celestina é a responsável pela área de cabo Verde e sente que ali “respira um pouco de África” mas mesmo sendo uma capelania dos Africanos “não é só porque há muitas pessoas que nos procuram e depois gostam”.

“A alegria e a vivência, o sentimento que une as pessoas” é o que mais cativa a professora Esmeralda para ir à Capelania.

“As pessoas de cá são frias mas na capelania recebem-nos com um sorriso e quando vais embora levas um abraço e, nós os africanos, estamos habituados a viver assim”.

Uma vez por mês a missa dominical é na Igreja do Campo Grande, em Lisboa, e ali o ambiente parece que se transforma.   

“Somos emigrantes a viver longe do nosso país, sentimos a África aqui, estamos juntos, cada um traz um bocadinho de si. Sinto mesmo um pouco de Cabo verde em mim”, explica Celestina.

As visitas aos doentes nos hospitais e a idosos sós são outras das atividades a que se dedicam bem como à dinamização de várias festas onde está integrado o povo africano.

A festa de  Santa Catarina na paróquia da Outurela, depois as festas Santo Amaro, na paróquia do Campo Grande, onde fazemos sempre a procissão e se incluem as bandas de música, é muito bonito”, explica Celestina.

“E a capelania não é só dos africanos, a nossa maior alegria é quando temos uma plateia cosmopolita, onde mostramos a nossa alegria, por isso procurem-nos conhece”, acrescenta a Esmeralda.

A Capelania dos Africanos em Lisboa iniciou na década de 80 e está integrado no apoio dos Missionários do Espírito Santo aos imigrantes.

SN

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