Padre Francisco Mota afirma que querem ser uma «voz ativa, rigorosa» e de «esperança» no diálogo com todas as pessoas

Foto Agência Ecclesia/HM

Lisboa, 22 jan 2020 (Ecclesia) –  O diretor-geral da Brotéria disse que abertura da nova casa da Companhia de Jesus no Bairro Alto, em Lisboa, é um serviço à Igreja e ao país “no coração da cidade”, local da tradição e da “ebulição” do cidade.

“Este lugar é muito relevante porque tem esta relação tão forte entre a tradição que herdamos e a ebulição, a força de uma cidade como Lisboa com tudo aquilo que nos pede e que nos chama”, afirmou o padre Francisco Mota em declarações à Agência ECCLESIA, no novo espaço que é inaugurado esta quinta-feira, com três dias de eventos.

O diretor-geral da Brotéria afirma que a intenção dos Jesuítas “é difícil de compreender comercialmente” e não tem que ver com “a procura de um novo mercado, com a expansão de marca”, mas querem ser “uma voz ativa” na “análise das questões sociais que preocupam a todos”, serem uma voz “rigorosa no tratamento dessas questões”.

“Sermos uma voz de esperança na maneira como abordamos os problemas, sermos uma voz que nasce de uma identidade de fé muito marcada, mas que tem um desejo muito grande de escutar e se encontrar com aqueles que por alguma razão precisam de ouvir a Igreja falar de uma língua que não conhece”, desenvolveu.

A nossa intenção tem que ver em primeiro lugar com ser aqui aquilo que somos noutro sítio, viver naturalmente no centro da cidade como vivemos noutros lugares, manifesta-se de muitas maneiras:

Segundo o padre Francisco Mota, a intenção da Companhia de Jesus é “viver naturalmente” no centro de Lisboa como noutros lugares” e o desejo de “criar um espaço de encontro entre a fé cristã e as culturas urbanas contemporâneas”.

Para o diretor-geral da Brotéria não são precisos “mais espaços sectários ou mais espaços fragmentados”, onde as questões que “afligem a todos só são tratados com a linguagem de alguns”.

“É muito impressionante e preocupante ver com a Igreja portuguesa ao longo dos últimos 50 anos tem mudado radicalmente, deixou de ter uma linguagem fácil de entender para a vida dos bairros, dizendo de maneira simples. A Lisboa da Amália e o cristianismo do fado e das varinas passa por grandes dificuldades hoje e em parte significativa é por dificuldade de linguagem”, exemplificou.

O sacerdote observa que a nova casa é “muito forte, é extraordinariamente bonita, é extraordinariamente imponente”, onde os Jesuítas têm a responsabilidade de tornar o “espaço confortável” e, por isso, é que houve um “investimento tão grande em cuidar do imobiliário, da iluminação, da sinalética”, em cuidar das portas abertas para “tentar garantir” que as pessoas “se sentem confortáveis dentro da casa, seja quem for”.

A Companhia de Jesus quer criar no Bairro Alto uma “cultura de rigor e respeito por aquilo que é dito”, na certeza de que “será muito mais fácil atrair pela beleza do que atrair pelo conteúdo”.

“Atrair pela beleza é fácil sobretudo enquanto a casa tiver este ar absolutamente deslumbrante. Compete-nos aproveitar este tempo de graça para nos definirmos como instituição na qual se encontra seriedade na discussão, rigor, abertura sincera, se encontra esperança, honestidade”, realçou.

Editada em Portugal desde 1902, a revista ‘Brotéria’ propõe leituras sobre atualidade política e social, religiosa, deixando ainda algumas sugestões culturais, e agora a revista dos Jesuítas apresenta-se num espaço físico com livraria, galeria, biblioteca e restaurante, no Palácio dos Condes de Tomar, que é inaugurado esta quinta-feira, com propostas até sábado (de 23 a 25 de janeiro).

O padre Francisco Mota explica que, pelo menos, desde há 30 anos, se põe a possibilidade da Brotéria “redescobrir uma relação mais próxima com o quotidiano da vida das pessoas da cidade” e afirma que regressar a São Roque não corresponde a  “atitude triunfalista, de repor a justiça na história e de virar o resultado, de ajustar contas”.

“É bom estar de volta”, afirma o diretor-geral da Brotéria sobre o novo centro cultural que vai estar em destaque na edição deste domingo do programa ‘70×7’, às 17h45, na RTP 2, neste domingo.

HM/CB/PR

 

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