Cardeal Sérgio da Rocha admite necessidade de «aprimorar» trabalho feito pela Igreja Católica

Brasília, 19 fev 2019 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que os responsáveis esperam “maiores orientações” sobre proteção de menores, depois do encontro que vai decorrer no Vaticano entre quinta-feira e domingo.

“Esperamos que o encontro que vai ocorrer no Vaticano possa oferecer maiores orientações para aprimorar as iniciativas já existentes na superação e prevenção dos abusos e de assistência às vítimas”, assinalou o cardeal Sérgio da Rocha, sobre o encontro convocado pelo Papa Francisco.

O presidente da CNBB, que vai representar os bispos brasileiros na cimeira inédita sobre proteção de menores, deseja que a reunião promova “novos passos” na abordagem desse problema, que “tem causado tanto sofrimento, na Igreja, especialmente nalguns países”.

“O tema precisa de receber mais atenção, não apenas na Igreja mas também na sociedade, pela sua gravidade e pelos casos que ocorrem moutros ambientes, como a família”, afirmou.

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde brasileiro, de junho de 2018, revela que entre 2011-2017 foram notificados 184 524 casos de violência sexual, a maioria na residência da vítima: 69,2% das ocorrências com crianças e 58,2% dos casos os adolescentes são vítimas.

Hoje, acrescentou o arcebispo de Brasília, existe uma “consciência maior” a respeito da “gravidade dos abusos de menores, especialmente quando cometidos por clérigos”, bem como, “da necessidade de justiça e de assistência às vítimas”.

O cardeal Sérgio da Rocha explicou que CNBB realçou a “importância” da formação humano-afetiva na formação inicial e permanente dos sacerdotes nas Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil, revistas em 2011.

“O tema tem sido abordado nos encontros para formadores, em nível regional e nacional”, assinalou.

A CNBB criou também uma Comissão para tratar dos abusos, que ajuda os bispos e suas dioceses e outra iniciativa foi a publicação do documento ‘Cuidado pastoral das vítimas de abuso sexual’, depois de várias “revisões e aperfeiçoamentos”.

“Um primeiro texto foi redigido em 2012 e enviado para a Congregação para Doutrina da Fé, do Vaticano. No final de 2018, o texto foi aprovado pela Congregação para a Doutrina da Fé, embora continue sujeito a modificações conforme a legislação canónica e civil”, comentou o cardeal Sérgio da Rocha, em declarações publicadas pelo sítio online da CNBB.

Entre 21 e 24 de fevereiro, a cimeira sobre a proteção de menores na Igreja, convocada pelo Papa Francisco, vai reunir 190 pessoas, incluindo 114 presidentes de conferências episcopais.

Os responsáveis mundiais dos Institutos Religiosos masculinos e femininos da Igreja Católica uniram-se hoje, em comunicado, ao apelo do Papa pela erradicação dos abusos sexuais; esta segunda-feira, na conferência de imprensa de apresentação do encontro foi destacada a “coragem” das vítimas de abusos sexuais e o trabalho dos jornalistas.

CB/OC

Abusos Sexuais: Ouvir as vítimas e apontar ao futuro são prioridades de cimeira no Vaticano

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