Arcebispo diz que é preciso «estar com todos»

Braga, 14 jul 2017 (Ecclesia) – A Sé de Braga acolheu hoje o pontifical que assinala os 50 anos de ordenação sacerdotal de D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz, com a presença da maioria dos bispos portugueses e do cabido de Santiago de Compostela (Espanha).

A celebração, a que se seguiu sessão solene com jantar no Seminário Conciliar de Braga, conta com uma mensagem do Papa Francisco, na qual o pontífice elogia o “zelo apostólico” e o “exemplo de vida” do arcebispo de Braga.

Em carta enviada, por ocasião das bodas de ouro sacerdotais do arcebispo primaz de Braga, o Papa Francisco sublinha as iniciativas do primaz “no auxílio aos pobres e aos necessitados de cuidados especiais”.

"Queremos manifestar-te por esta Carta, as nossas calorosas felicitações, e recordar a solicitude com que cumpriste diversas funções, preparando, na juventude, o espírito e inteligência para exerceres o ministério sacerdotal", acrescenta a nota.

A mensagem, divulgada pela Arquidiocese de Braga, realça o “espírito e inteligência” no exercício das funções assumidas ao longo da vida por D. Jorge Ortiga, nomeado arcebispo de Braga em 1999, concluindo-se com a bênção apostólica do Papa.

Já na homilia da celebração, o arcebispo de Braga quis falar aos sacerdotes presentes, desde a sua experiência pessoal, num "exame de consciência".

"O sacerdote, e quero rever a minha vida sacerdotal e pedir aos sacerdotes que façam o mesmo comigo, deve também procurar o rosto de Deus, numa postura humilde, para que o cansaço não se apodere de si e a alegria do ministério possa sobressair", referiu D. Jorge Ortiga.

As bodas de ouro sacerdotais deste responsável estão no centro da mais recente edição do Semanário ECCLESIA.

“Gostaria de estar com todos e sem fazer distinção de ninguém. Mesmo incluindo aqueles que não são católicos. Não tenho receio de receber seja quem for. Posso receber qualquer partido político, menos na altura das campanhas eleitorais. Gosto também de promover encontros com agentes da cultura”, refere D. Jorge Ortiga.

Jorge Ferreira da Costa Ortiga nasceu a 5 de março de 1944, na freguesia de Brufe, concelho de Vila Nova de Famalicão; foi ordenado padre no dia 9 de julho de 1967, juntamente com 24 colegas, na igreja de Lousado (Famalicão).

O arcebispo de Braga fala num “espírito inovador” que o tem acompanhado no seu percurso e defende que “a Igreja não pode fazer política, mas não se pode alhear da política”.

“Quando as pessoas nos seus direitos essenciais não estão a ser respeitadas, a Igreja tem o dever de anunciar a sua verdade e de denunciar certos problemas. E tem de fazê-lo com coragem”, precisa.

D. Jorge Ortiga coloca a “unidade” como sua prioridade, recordando, entre vários episódios, a reação à Revolução de Abril, em Braga.

“Reconhecia a necessidade de liberdade, mas sentia também a necessidade de estabilizar após os primeiros tempos do 25 de abril de 1974”, assinala.

50 anos depois da sua ordenação sacerdotal, D. Jorge Ortiga diz que um padre se consagra a Deus e tem de viver “para os homens”, consciente das “muitas sensibilidades” nas comunidades católicas e na sociedade em geral.

“Não podemos ser sobranceiros com o povo. Um dos grandes problemas para a renovação da Igreja está aqui: na corresponsabilidade laical”, adverte.

O arcebispo de Braga não esconde a sua admiração pela figura de frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590), esperando que a sua canonização aconteça no ano pastoral 2017-2018.

A entrevista aborda, entre outros assuntos, a aposta no setor da Comunicação, com D. Jorge Ortiga a considerar que, neste campo, a arquidiocese minhota é “um modelo”.

OC

Notícia atualizada às 21h00

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