Arcebispo de Braga lembrou «vidas ceifadas num imprevisível surto» e as consequências da pandemia

Braga, 02 abr 2021 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga referiu-se hoje na homilia da Celebração da Paixão à cruz “pesada” por causa do “momento de morte” provocado pela pandemia e que impede manifestações exteriores na Semana Santa e lembrou as vítimas da Covid-19, sobretudo os que morrem sós.

“A morte é dura. Não ter ninguém para acariciar e oferecer conforto é tremendamente mais complicado. Nada de despedidas a quem confiar as últimas vontades. Nenhuma mão de samaritano a mostrar proximidade. Morrer só é muito duro”, afirmou D. Jorge Ortiga na Sé de Braga.

O arcebispo de Braga lembrou as “vidas ceifadas num imprevisível surto” da pandemia Covid-19, num “dramatismo semelhante ao de Cristo no alto do Calvário”.

“Depois a dor da perda e da separação tornou-se mais aguda pela impossibilidade de fazer o luto. E tudo foram restrições. Os amigos não estiveram presentes. Os abraços de coragem não foram dados. As lágrimas escorreram sem ninguém para as partilhar”, acrescentou.

“Se a morte foi a experiência de Calvário para os que morreram vítimas da Pandemia, muitas outras mortes aconteceram durante este ano marcadas por uma austeridade incompreensível mas necessária”, afirmou.

D. Jorge Ortiga lembrou as depressões motivadas pelo confinamento, o “sentimento de inutilidade” de muitos idosos, o agravamento da saúde mental, a “ruptura relacional e aumento de isolamento afectivo”, em muitas famílias.

Para o arcebispo de Braga, a pandemia está a fazer com que a “excessiva burocracia e informatização” impeça “o acesso dos mais iletrados aos apoios sociais”, desconsidere “os direitos dos mais débeis” e crie tensão nas famílias entre “o risco e a proximidade”.

D. Jorge Ortiga alertou para os “cuidados paliativos a que nem todos têm acesso” e para as “ações paliativas obscurecidas por uma medicina de emergência”, para a situação dos sem-abrigo, para as “dificuldades na vida familiar com filhos em idade escolar e com filhos com deficiência” e para as “comunidades paroquiais com as igrejas a encerrarem e a não permitirem experiências comunitárias de fé estando a criar, entre outras realidades, dificuldades na sustentabilidade económica e manutenção do património religioso”.

“A Igreja Samaritana tem de ser uma Igreja de presença, de proximidade. Terá de se colocar bem perto de todos os calvários humanos. Pode pensar que a suas forças são diminutas, que não consegue chegar onde a sua presença é necessária. Com muito ou pouco, ela deve partir na disposição de dar tudo através de um amor incondicional, totalmente oblativo e nunca marcado por qualquer tipo de interesse. É a cruz de Cristo que o exige”, afirmou.

O arcebispo de Braga sublinhou que a Igreja tem um “projeto de salvação da Humanidade” e “por ela nada pode ser esquecido ou ficar na mesma”.

Na homilia da Celebração da Paixão do Senhor, D. Jorge Ortiga referiu-se à necessidade de adequar o programa de ação na diocese a partir da parábola do Bom Samaritano, promovendo uma “caridade operativa” que foi exercitada “exemplarmente” durante a pandemia e que “deverá continuar no após pandemia”.

PR

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