«Confissões terão de promover uma verdadeira cultura do encontro» – D. Nuno Almeida, bispo católico

Foto Arquidiocese de Braga

Braga, 24 jan 2020 (Ecclesia) – As Igrejas Cristãs em Braga – Católica, Metodista, Lusitana – dinamizaram uma celebração ecuménica pela Semana Anual de Oração pela Unidade dos Cristãos.

“Aqui nos reunimos para orar pela unidade entre cristãos e pela reconciliação no mundo. […] Acreditamos no poder da oração. Juntos, com os cristãos do mundo inteiro, oferecemos as nossas preces enquanto buscamos superar a separação”, disse D. Sifredo Teixeira, bispo da Igreja Metodista que acolheu este encontro, informa a Arquidiocese de Braga.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que no hemisfério norte decorre de 18 a 25 de janeiro, recorda este ano os migrantes e refugiados que são vítimas de naufrágios no Mediterrâneo.

A reflexão proposta para as igrejas cristãs foi preparada pelas comunidades do arquipélago maltês, a partir do relato bíblico do naufrágio de São Paulo (século I), que o levou até à ilha de Malta, onde, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, foi tratado com “invulgar humanidade”.

“Houve um tempo em que os cristãos viveram uns contra os outros e depois houve um tempo em que caminhavam lado a lado. Hoje importa caminharmos juntos, sempre em fidelidade às nossas Igrejas. Temos que dar um passo em frente e agir, procurar ações concretas”, referiu o bispo-auxiliar de Braga, dia 22, em representação do arcebispo D. Jorge Ortiga.

D. Nuno Almeida assinalou que a Igreja Católica estava a celebrar o centenário do nascimento da fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, uma “profetiza da unidade”.

“Vivemos num mundo de indiferença religiosa e humana. As diversas confissões terão de promover uma verdadeira cultura do encontro. Como diz o texto, Paulo e os amigos foram tratados com invulgar humanidade. É precisamente disso que precisamos e é chegada a hora de iniciativas concretas, não só no que diz respeito ao acolhimento dos refugiados”, desenvolveu.

Citando D. Jorge Ortiga, o bispo-auxiliar de Braga concluiu que é preciso um mundo que “seja realmente casa comum, onde todos saboreiem e provem a dignidade humana”.

Na celebração as diferentes Igrejas apresentaram oito remos, cada um significou uma prece, associada a diferentes palavras: Reconciliação, Iluminação, Esperança, Confiança, Fortalecimento, Hospitalidade, Conversão e Benevolência.

O bispo da Igreja Lusitana, D. Jorge Pina Cabral, afirmou que tinham de ser “palavras de alegria e esperança” e pediu aos presentes para terem em atenção a imagem da barca no texto bíblico.

“Naquela barca e naqueles 276 homens está a imagem da humanidade que somos, também numa barca frágil que é a nossa casa comum, a Terra, assolada por questões transversais a todos, independentemente da sua raça, cultura, ou religião”, salientou, explicando referir-se a questões como o clima, guerras e sistema capitalista corrompido que enfrentamos, como se tem visto pelas últimas notícias”, afirmou

“O movimento ecuménico é para o mundo, que precisa da unidade dos cristãos. Temos de dar sinais de alento e esperança, como o Apóstolo Paulo fez”, observou D. Jorge Pina Cabral.

No seu sítio online, a Arquidiocese de Braga destaca também a presença dos pastores metodistas Emanuel de Carvalho e Eunice Alves, e do sacerdote católico Paulo Terroso, na celebração ecuménica realizada esta quarta-feira.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).

OC/CB

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