Arcebispo de Braga, que assinalou 22.º aniversário de tomada de posse, diz à Agência ECCLESIA que processo de nomeação do seu sucessor «tardou» e considera que «alguém de fora» pode ajudar em «renovação inadiável»

Foto Agência ECCLESIA/PR

Braga, 19 jul 2021 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga, que este domingo assinalou o 22.º aniversário de tomada de posse, disse à Agência ECCLESIA que o processo de nomeação do seu sucessor “tardou” e que espera outro dinamismo, com a chegada do novo responsável.

“Talvez a vinda de alguém fora de Braga possa trazer um outro ritmo diferente, outra maneira de conceber a Igreja. Acredito, seriamente, que poderá também ajudar neste processo de renovação inadiável”, refere D. Jorge Ortiga, no dia em que presidiu a quatro ordenações sacerdotais, no Sameiro.

Em 2019, quando completou 75 anos de idade, o arcebispo primaz apresentou a sua renúncia ao cargo, segundo as determinações do Direitos Canónico.

Em entrevista, o arcebispo de Braga assinala que a espera de mais de dois anos foi “muito tempo” para a diocese e para si próprio, mas sustenta que o mais importante é estar pronto para receber “aquele que a Igreja considerar mais oportuno e mais adequado para este momento”.

“Vamos oferecer uma Igreja com dinamismo, já em movimento, empenha nesta ideia da renovação? Ou, pelo contrário, estamos desmotivados, fruto da pandemia – que talvez seja a razão que usamos com mais frequência?”, questiona.

O que é que oferecemos ao bispo que vai chegar? Esta é a minha preocupação e é este o alerta que vou lançando aos sacerdotes, às pessoas mais empenhadas na própria Igreja: a preocupação por trabalharmos para que, quando o novo arcebispo chegar, veja uma Igreja unida, em comunhão, empenhada”.

O arcebispo de Braga sublinha que, seja quem for o seu sucessor, “não vem sozinho” e encontra no Minho “gente muito boa”, “essencialmente religiosa”.

“O nosso Cristianismo tem raízes muito profundas, mas corremos o risco de ter uma Igreja tradicionalista. Eu alerto para a diferença entre tradição e tradicionalismo”, aponta.

Jorge Ferreira da Costa Ortiga nasceu a 5 de março de 1944, na freguesia de Brufe, Concelho de Vila Nova de Famalicão; foi ordenado sacerdote no dia 9 de julho de 1967, na igreja de Lousado; o Papa João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Braga em 1987 (ordenação episcopal a 3 de janeiro de 1988) e foi nomeado arcebispo de Braga a 5 de junho de 1999, com 55 anos.

Olhando para este percurso, o responsável católico diz que procurou sempre que a sua ação fosse marcada por “um sujeito coletivo, comunitário”, envolvendo a diocese e promovendo a proximidade.

“Temos sublinhado esta ideia da sinodalidade, no sentido em que as pessoas se têm de aproximar e não devem ter medo de se quererem bem, ajudar-se, reconhecendo-se interdependes. É com os outros que a vida se vai tecendo, dentro e fora da comunidade”, indica.

O arcebispo primaz assume-se como um “eterno insatisfeito” e considera que é essencial que a Igreja evite “fechar-se nas sacristias ou nos santuários”, pedindo maior compromisso na vida política e no mundo do trabalho.

Para o futuro, D. Jorge Ortiga espera deixar um legado de “unidade”, simbolizado na imagem da romã, que está nas suas “armas de fé”, mas realça que não tem projetos concretos e que quer falar com o novo arcebispo antes de assumir quaisquer planos.

“A certeza é que não me vou intrometer”, afirma.

PR/OC

«Quando o novo arcebispo chegar, que veja uma Igreja unida, em comunhão, empenhada» – D. Jorge Ortiga

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