Responsáveis destacaram importância de apontar para o «Alto», inspirando-se no tema proposta para 2022, a «Estrela de Belém»

DACS | Fotografias: Ana Marques Pinheiro

Braga, 19 jan 2022 (Ecclesia) – A Basílica dos Congregados, em Braga, acolheu esta terça-feira uma celebração ecuménica, no início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, reunindo representantes das Igrejas Católica, Lusitana e Metodista.

D. Jorge Ortiga, administrador apostólico da Arquidiocese de Braga, convidou os participantes a olhar “para o Alto” e usar o Sínodo 2021-2023, convocado pelo Papa Francisco, para observar “o modo” como se caminha.

“Nos tempos que vivemos, o sentido de alegria e de festa quase desapareceu. Pelo contrário, vão-se impondo realidades negativas, de desolação. Nós, crentes, temos de olhar mais além, para a estrela polar, e sentir-nos no caminho até ela, no caminho até à alegria”, disse o responsável católico, numa homilia divulgada pelo Departamento Arquidiocesano das Comunicações Sociais (DACS).

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2022 tem como tema ‘Vimos a sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem’, uma proposta Conselho das Igrejas do Médio Oriente, sediado em Beirute, no Líbano.

D. Jorge Ortiga recordou episódios da infância, em que se dedicava a olhar para o céu e a contar as estrelas, notando que havia uma em especial que se destacava sempre junto das outras, brilhando mais.

O administrador apostólico de Braga sublinhou a necessidade de ser “Igreja sinodal”.

“Hoje pensamos precisamente nisto: temos que caminhar juntos e mostrar como a vida pode e deve ser”, acrescentou.

Temos de caminhar juntos, de mãos dadas, para ir ao encontro dos que estão perdidos; não para julgar, mas para apontar o caminho da estrela polar. Estamos cá hoje para tomar consciência que o mundo precisa da unidade e da comunhão, que começam pelo facto de seguirmos essa estrela. Só depois podemos fazer algo para que outros também a sigam”.

A celebração contou com a presença de Sifredo Teixeira, bispo da Igreja Metodista; Jorge Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana); e o pastor Emanuel de Carvalho, da Igreja Metodista.

Jorge Pina Cabral citou “a fé do arcebispo Desmond Tutu” que “foi forjada em pleno Apartheid” e  recordou que as igrejas cristãs também promoveram o apartheid, que procuraram fundamentos bíblicos e teológicos para sustentar o racismo e a segregação racial.

“Criaram-se Igrejas separadas para brancos, negros e mestiços. As Igrejas não tiveram que lutar apenas contra o Estado opressor, mas tiveram que desmontar igualmente os argumentos que referi”, explicou, pedindo um exame de consciência.

O responsável referindo o Sínodo da Igreja Católica, dizendo que espera que sejam abertos novos caminhos na caminhada sinodal, no movimento ecuménico e na realidade de Portugal, “para que a Epifania de Jesus Cristo continue a acontecer neste tempo”.

Já Sifredo Teixeira começou a sua homilia agradecendo a entrega e dedicação de D. Jorge Ortiga à Igreja e à causa ecuménica.

“Procuraram saber onde encontrar aquilo que buscavam e acabaram por perturbar a cidade com as suas perguntas, causando alvoroço, quase como se uma catástrofe tivesse acontecido. Claro que havia quem conhecesse as Escrituras e a resposta às perguntas, mas nem por isso a deram. Conhecer bem os textos bíblicos nem sempre significa conhecer e compreender O que veio habitar entre nós para ser a nossa vida abundante”, referiu.

O bispo metodista disse ainda que vale a pena questionarmo-nos sobre as estrelas que estamos a seguir, relembrando que tanto nós contamos com Deus, como Ele conta connosco.

“Servir o Evangelho hoje requer o compromisso de defender a dignidade humana dos mais pobres e marginalizados. As Igrejas precisam de cooperar para aliviar os aflitos e os sobrecarregados, para construir uma sociedade mais justa e honesta”, referiu o responsável, citado pelo DACS.

SN/OC

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