«Ninguém é catequista sozinho, porque ninguém é cristão sozinho», disse D. José Cordeiro

Braga, 23 set 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga apresentou as Orientações Pastorais para a Catequese referentes ao triénio 2026-2029, assumindo o objetivo de ultrapassar um modelo predominantemente escolar e focado apenas na preparação para os sacramentos.
“Estamos num tempo de semear processos. Nós queremos só colher. Já foi o tempo de colher, mas semearam outros. Agora é a nossa vez de semearmos processos”, alertou D. José Cordeiro durante o Conselho Arquidiocesano da Catequese, que reuniu as equipas arciprestais na noite de terça-feira.
Segundo nota enviada hoje à Agência ECCLESIA pelo Departamento Arquidiocesano da Catequese, o arcebispo primaz sublinhou que a implementação destas mudanças exige paciência pastoral, sendo preciso “dar tempo ao tempo, mas não perder tempo”.
O novo documento orientador, desenhado sob o horizonte pastoral ‘Juntos no Caminho de Páscoa: Levar Jesus a Todos e Todos a Jesus’, estabelece cinco prioridades para os próximos três anos: implementar o Itinerário de Iniciação à Vida Cristã, envolver as famílias, investir na formação de catequistas, desenvolver a catequese de adultos e promover a inclusão.
Na sua intervenção, D. José Cordeiro destacou a dimensão comunitária da ação evangelizadora, frisando que “ninguém é catequista sozinho, porque ninguém é cristão sozinho”.



O arcebispo de Braga desafiou os formadores a um discernimento que permita “fazer menos e melhor”, citando Leão XIV, antes de apelar ao reforço do espírito missionário e do trabalho sinodal perante as atuais transformações da realidade eclesial.
Recorrendo ao relato bíblico dos discípulos de Emaús, o responsável definiu a missão do catequista como a tarefa de “ajudar a abrir os olhos do coração” das crianças e adolescentes para a descoberta cristã na comunidade, na liturgia e na caridade.
A título pessoal, D. José Cordeiro partilhou o reencontro recente com a sua primeira catequista, atualmente com 94 anos, para ilustrar como estes educadores permanecem como figuras marcantes na vida daqueles que acompanham.
O encontro contou com a presença do vigário episcopal para a Educação Cristã, D. Delfim Gomes, bispo auxiliar de Braga, e reservou um papel particular para as Equipas Arciprestais de Catequese, reconhecendo-as como estruturas fundamentais de proximidade e acompanhamento para a consolidação deste plano até 2029.
OC
