D. José Cordeiro pede atenção especial para quem «tem dificuldade em pagar a renda e as contas de casa»

Braga, 26 out 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga desafiou este domingo as comunidades católicas a abandonarem práticas fechadas sobre si mesmas e a responderem às dificuldades económicas das famílias.
“De que forma olhamos hoje para aquele que se afastou das nossas comunidades, para o estrangeiro, para o pobre endividado, para aquele que tem dificuldade em pagar a renda e as contas de casa?”, questionou D. José Cordeiro, na homilia da Missa final encontro pastoral ‘Renovar’, que reuniu cerca de um milhar de pessoas desde sábado.
Na igreja paroquial de São Lázaro, o arcebispo primaz sustentou que “a Igreja é chamada a falar a todos”.
“Uma Igreja renovada é aquela que é capaz de perguntar quem são as pessoas do nosso território, como vivem e quais são as suas fragilidades”, referiu o também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, numa intervenção divulgada online.
O responsável católico evocou os protestos sociais dos últimos dias em Portugal, “porventura exagerados nalguns momentos, mas que refletem as preocupações diárias das pessoas”.
Perante o agravamento do custo de vida e o aumento da diversidade cultural, o arcebispo de Braga convidou os católicos a “sair” das igrejas, “procurando conhecer os rostos e os nomes de quem se afastou ou é estrangeiro e bate à porta das comunidades, de quem é pobre e espera de generosidade e partilha”.
D. José Cordeiro reconheceu que o catolicismo se deixou de transmitir de forma automática entre gerações e advertiu que, atualmente, “a maioria da população é batizada, mas vive como pagã”.
“Tudo o que não estiver ordenado a amar Deus e amar o próximo é peso morto, por mais tradição que tenha”, apontou.
Comparando a reforma eclesial ao restauro de uma obra de arte que precisa de ver removidas “as camadas de pó que se acumularam ao longo dos tempos”, o arcebispo frisou que o objetivo passa por “aprender a dizer esse Evangelho em novos modos”.
Após citar o escritor italiano Erri De Luca para lembrar que “o futuro do rio não é a sua foz, mas a sua nascente”, o responsável católico sustentou que a comunidade cristã “nasce e renasce à volta do altar”, pedindo aos fiéis que avaliem se cada reunião ou movimento abre o coração aos irmãos ou alimenta o egoísmo.

Antes da Eucaristia de encerramento, o cofundador da organização norte-americana ‘Rebuilt Parish’, Tom Corcoran, apresentou na última conferência do ‘RENOVAR 2026’ um conjunto de sete passos para concretizar mudanças positivas na ação paroquial.
“Deus não nos dá certeza; quer dar-nos fé e confiança”, declarou o especialista, citado pelo portal da Arquidiocese de Braga.
O orador apontou o Santuário do Bom Jesus do Monte, onde ficou hospedado em Braga, como exemplo concreto de uma visão transformadora e apelou às paróquias para criarem equipas, testarem soluções pastorais nas celebrações dominicais e superarem o imobilismo, avisando que a Igreja existe para procurar quem não tem relação com Cristo.
OC
