Os problemas com que se depara o Mundo actual mereceram uma atenção especial de D. Teodoro de Faria, na homilia da festa litúrgica em honra da Padroeira da Madeira A situação na Venezuela mereceu atenção especial de D. Teodoro de Faria, na homilia, da Eucaristia celebrada ontem na igreja de Nossa Senhora do Monte, tendo o prelado funchalense recordado «as comunidades madeirenses, dispersas pelo vasto mundo, que se unem à nossa oração neste dia tão solene. Preocupa-nos o clima de tensão que nestes últimos tempos tem afligido a Venezuela, dum modo especial em Caracas. Pedimos à Mãe de Deus, invocada com o título de Nossa Senhora do Coromoto, que o Referendo que hoje se realiza naquele país amigo, decorra em paz e liberdade, para o bem comum de todos os seus habitantes entre os quais se encontram numerosos filhos da nossa Diocese» Depois de sublinhar que «a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu é uma celebração mariana que nos enche de grande alegria e consolação, pois anuncia e confirma a nossa esperança na vida futura, em Deus e com todos os seus santos», D. Teodoro de Faria recordou a vida e o exemplo do Servo de Deus o Imperador e Rei, Carlos de Áustria cujos restos mortais repousam naquela igreja, acentuando que «Carlos de Áustria, num momento trágico da história da Europa, teve de receber o trono de um grande império envolvido numa guerra sanguinolenta, ele que sempre amou e trabalhou pela Paz. Os vencedores dividiram em pedaços um grande império, que mais tarde foi engolido pelo comunismo, e de um inocente forjaram um culpado, o Imperador Carlos de Áustria e Rei da Hungria. Exilado na Madeira, encontrou nesta terra paz e serenidade, aqui viveu pouco mais de quatro meses, despido de todas as glórias e riquezas do mundo, mas alegre e confiante em Deus. Como o grão de trigo morreu para o mundo mas Deus quis glorificar o seu servo apresentando-o como modelo: na sua fé, virtudes familiares, construção da Paz, perdão dos inimigos». Perdoar os terroristas Os problemas com que se depara o mundo actual mereceram uma atenção especial de D. Teodoro de Faria que recordou que «na leitura do Apocalipse, ao lado da mulher revestida com o sol, aparece o dragão, símbolo dos que se opõem a Deus e ao seu plano de paz e salvação do criador. O dragão apresenta muitas faces ao longo da história, umas horríveis, outras mais simpáticas, mas sempre perniciosas porque a sua finalidade, desde o paraíso terrestre, é enganar o homem, colocando-o no lugar de Deus. Uma das faces actuais do dragão e que constitui um tormento para a humanidade é o terrorismo. Ele tornou-se numa espécie de nova guerra mundial, guerra sem fronteiras que pode ferir e matar em qualquer parte do mundo, sem distinguir entre culpados e inocentes». E acrescentou que «o terrorismo é a violência ilegal sem relação com a moral, mas que não se pode aniquilar apenas pela violência. Certamente que algumas vezes, é preciso usar de meios violentos que têm de ser bem medidos, para não se capitular perante a injustiça. Mas para que a violência, em nome do direito, não se torne injustiça, ela deve submeter-se a critérios sérios que devem ser reconhecidos por todos. As interrogações sobre o terrorismo não podem esquecer as situações de injustiça». D. Teodoro de Faria acentuou depois que «sem perdão, não se pode quebrar o círculo da violência, e todos nós devemos interrogarmo-nos se, em nossa vida, não se cometem excessos, que, sem o perdão, aumenta o círculo infernal das pequenas violências, que ferem, matam e destroem a paz social. Com o princípio de «olho por olho» e «dente por dente» não há saída para quebrar a lógica da violência. Em Maria encontramos o modelo do perdão dos inimigos. A história da Europa mostra como Maria foi mestra na escola de Jesus Cristo. Ela contribuiu para fazer do nosso continente um lugar de humanidade e beleza, de solidariedade e ternura para com os mais fracos» Terminou a sua homilia sublinhando que «com Maria, a Europa criou pontos luminosos de esperança que iluminam a noite do sofrimento e do desespero. O santuário de Nossa Senhora do Monte é um desses faróis de luz e confiança que ao longo dos anos tem guiado madeirenses, porto-santenses e comunidades emigrantes, a se unirem como irmãos, sob o sinal do amor, a orarem a Deus e a reconhecerem que têm no Céu uma Mãe que vela por nós e nos guia para a sua Casa, pois todos pertencemos à família de Deus». Depois desta homilia, o Bispo de Gibraltar proferiu algumas palavras para agradecer a hospitalidade do povo madeirense e enaltecer as belezas da nossa terra. Terminada a Eucaristia saiu a procissão em que participou elevado número de fiéis. Sílvio Mendes
