D. Américo Aguiar recorda Papa que prosseguiu legado da Jornada Mundial da Juventude

Lisboa, 31 dez 2022 (Ecclesia) – O presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, D. Américo Aguiar, disse à Agência ECCLESIA que o Papa emérito Bento XVI, falecido hoje, foi uma “figura muito especial” para os jovens católicos.

“Temos de agradecer muito ao pontificado do Papa Bento XVI, naquilo que à juventude diz respeito”, refere o bispo auxiliar de Lisboa, recordando que o sucessor de João Paulo II prosseguiu o “legado” do Papa polaco, que criou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Durante o seu pontificado, Bento XVI presidiu a três edições internacionais da JMJ (Colónia 2005, Didney 2008 e Madrid 2011).

D. Américo Aguiar lembra a mensagem do Papa alemão aos jovens, na homilia da Missa de início do ministério petrino, a de 24 abril de 2002: “Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo”.

“Aderir a Cristo, acolhê-lo no coração, para os jovens, não os limita em nada, não lhes tira nada, pelo contrário, enche plenamente o coração de cada um”, realça.

O bispo auxiliar de Lisboa recorda ainda a “experiência única” da visita do falecido Papa a Portugal, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto, de 11 a 14 de maio de 2010,

“No Porto, não esqueço as palavras da sua homilia, quando dizia que a Igreja não impõe, mas propõe, e nós somos convidados a dar testemunho das razões da nossa fé, em Cristo vivo”, declara.

O presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023 sustenta que cada Jornada é esse “encontro com Cristo vivo”.

“Temos muitas graças a dar a Deus pelo Papa Bento XVI e estou convencido que, quando a história fizer o seu caminho, ganhará um lugar muito especial entre os sucessores de Pedro”, aponta.

O responsável recorda que um dos motivos que o Papa emérito ponderou, na sua resignação, estava ligado ao facto de não se sentir “capaz de ir ao Rio de Janeiro”, à JMJ 2013, ano em que apresentou a sua renúncia.

D. Américo Aguiar fala de um “Papa teólogo”, que ajudou a fazer a transição após o pontificado de São João Paulo II, pontífice entre 1978 e 2005, e que marca “profundamente” a história da Igreja.

“Naquilo que foi o seu papel, mais anónimo, atrás das cortinas, no processo do Concílio Vaticano II, sabemos que foi sempre uma figura de referência, bem como depois no seu trabalho, com empenho e dedicação, na implementação e receção do Concílio”, indica.

O responsável católico evoca ainda o trabalho do então cardeal Joseph Ratzinger como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em “proximidade” com João Paulo II, permitindo uma continuidade entre pontificados, “no que era essencial”.

Bento XVI dizia que as Jornadas Mundiais da Juventude a que presidiu eram “parte das recordações mais bonitas” de todo o pontificado.

“Colónia, Sidney e Madrid são três marcos que nunca esquecerei. Simplesmente estava feliz por poder participar, ser aceite e poder ajudar outros”, referiu, no livro-entrevista ‘Últimas Conversas’ (2016), do jornalista Peter Seewald.

O Papa emérito elogiava a participação de “jovens que precisam de outra coisa que não seja a fraseologia habitual e que, ali, realmente se entusiasmam” e dão á Igreja um “rosto novo e jovem”.

Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em Marktl am Inn (Alemanha), no dia 16 de abril de 1927, um Sábado Santo, tal como acontece em 2022, e passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da Áustria.

Juntamente com o seu irmão Georg, foi ordenado padre a 29 de junho de 1951; dois anos depois, doutorou-se em teologia com a tese ‘Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho’.

No dia 19 de abril de 2005 foi eleito como o 265.º Papa, sucedendo a João Paulo II; a 11 de fevereiro de 2013, Dia Mundial do Doente e memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, anunciou a renúncia ao pontificado, com efeitos a partir do dia 28 do mesmo mês, uma decisão inédita em quase 600 anos de história na Igreja Católica.

OC

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