Falecido Papa esteve ligado à mensagem das aparições antes, durante e após o seu pontificado

Foto: Santuário de Fátima

Lisboa, 31 dez 2022 (Ecclesia) – Bento XVI visitou a Cova da Iria em 2017, ficando ligado à Mensagem de Fátima e, em particular, à interpretação do Segredo, cuja terceira parte foi divulgada em 2000.

O Papa emérito falou aos jornalistas no voo entre Roma e Lisboa, a 11 de maio de 2010, para explicar que “uma aparição, ou seja, um impulso sobrenatural, não vem somente da imaginação da pessoa, mas na realidade da Virgem Maria, do sobrenatural”.

A terceira parte do segredo fala de um “Bispo vestido de branco” que caminha no meio de ruínas e cadáveres, imagem associada ao atentado sofrido por João Paulo II a 13 de maio de 1981.

Bento XVI disse que “nesta visão do sofrimento do Papa é possível ver, em primeira instância, o Papa João Paulo II”, mas também estão indicadas “realidades do futuro da Igreja” que se “desenvolvem e se mostram”.

“O importante é que a mensagem, a resposta de Fátima, não vai substancialmente na direção de devoções particulares, mas precisamente na resposta fundamental, ou seja, a conversão permanente, a penitência, a oração, e as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade”, sustentou.

Em Fátima, depois de vários discursos e homilias, a imagem de marca foi um momento sem palavras: o Papa em silêncio, olhos fixos na imagem de Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições.

Na tarde de 12 de maio de 2010, Bento XVI entregou uma Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, tornando-se o primeiro Papa a fazê-lo pessoalmente em solo português.

Foto: Santuário de Fátima

Na Missa de 13 de maio, Bento XVI apresentou, diante de centenas de milhares de pessoas, o fruto da sua reflexão de décadas sobre os acontecimentos de 1917: “Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos”.

“Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma. Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-se à nossa visão interior”, acrescentou.

O Papa alemão falou sobre o futuro e não sobre o passado, o que ajuda explicar as suas declarações sobre a missão de Fátima e a continuidade no tempo dos sofrimentos que foram revelados na terceira parte do segredo: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”.

Em 2000, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé assinou o “comentário teológico” à terceira parte do segredo, no qual se fala de um “Bispo vestido de branco” que caminha no meio de ruínas e cadáveres, imagem associada ao atentado sofrido por João Paulo II.

Neste comentário teológico, o cardeal Ratzinger deixava claro que “quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história deve ficar desiludido”.

Já após a renúncia ao pontificado, a 21 de maio de 2016, Bento XVI rompeu o seu silêncio para reafirmar que a publicação do chamado ‘Segredo de Fátima’ ficou “completa” após a divulgação da sua terceira parte, no ano 2000.

O texto relativo ao Segredo de Fátima (uma mensagem anunciada por Nossa Senhora aos Pastorinhos em julho de 1917 e escrita por Lúcia na década de 40 do século XX) pode ser consultado no sítio do Vaticano.

OC

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