Cardeal-patriarca de Lisboa elogia abertura para diálogo com pessoas «dentro e fora da Igreja» e atualidade da enciclia «Deus Caritas Est», «o seu programa do pontificado»

Foto Estela Silva/Lusa

Lisboa, 31 dez 2022 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa recordou hoje a figura “gigantesca” que foi o Papa emérito Bento XVI, e sublinhou a sua “enorme clareza doutrinal”, bem como a abertura no diálogo com pessoas “dentro e fora da Igreja”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Manuel Clemente afirmou que este momento é para “uma ação de graças pela sua vida, pelo que ela significou, pelo seu pontificado e pela sua enorme clareza do ponto de vista doutrinal, que não foi de modo algum fechamento mas de grande abertura à atualidade, das pessoas com quem dialogou, dentro e fora da Igreja e na maneira como ele conseguiu expressar as verdades da nossa fé, numa linguagem coerente, clara e atual”.

O cardeal-patriarca de Lisboa indica a primeira encíclica do pontificado, entre 2005 e 2013, «Deus Caritas Est», como o seu programa, e aponta a “coragem” de ter pedido a resignação “quando sentiu não ter condições para continuar a exercer o ministério”.

“Recordar que a sua primeira encíclica foi sobre a caridade, sobre a alma da Igreja, «Deus caritas est», com um programa ia nesse mesmo sentido, que a Igreja se revele no mundo como o lugar do amor de Deus, a caridade do amor de Deus, purificando-se de tudo o que contraria essa verdade. Foi muito corajoso nessa causa de purificação da Igreja”, assinalou.

O Papa emérito Bento XVI faleceu hoje aos 95 anos de idade, anunciou o Vaticano.

“Com pesar informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 09h34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano”, refere uma nota do porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, enviada aos jornalistas.

D. Manuel Clemente disse que Bento XVI foi uma figura “gigantesca, do ponto de vista teológico, filosófico, pastoral e pontifical” e convidou a recordar os seus documentos, considerando que são escritos para todos os tempos.

O cardeal-patriarca de Lisboa recordou ainda as viagens que Bento XVI realizou a Portugal, bem como a sua ligação à mensagem de Fátima.

“Muito ligado a Portugal, onde veio, teve ocasião de visitar Fátima, com os pastorinhos, com a explicação da terceira parte do segredo de Fátima, que tantas dúvidas levantava e que afinal liga a mensagem e Fátima e o que os pastorinhos viveram à vida e ao drama da Igreja e do mundo, neste século e no século passado”, assinalou.

Na altura, bispo do Porto, D. Manuel Clemente teve ocasião de receber Bento XVI na cidade invicta, encerrando a sua visita a Portugal em 2010, com passagens ainda por Lisboa e Fátima, que indica, “fica indelevelmente nos corações”.

Numa nota publicada pelo patriarcado de Lisboa, D. Manuel Clemente destacou ainda “o legado de lucidez e clareza”, bem como a “inteligência, determinação e liberdade”.

“Bento XVI deixa-nos um grande legado, do qual destaco, primeiro, a lucidez com que seguia todos os debates culturais e religiosos e a clareza com que se pronunciava a seu propósito, oralmente ou por escrito, com crentes ou não crentes”, pode ler-se.

A centralidade que o Papa Ratzinger “sempre deu à Pessoa de Jesus Cristo”, “como fulcro e norma da fé da Igreja, bem como nas suas fecundas considerações sobre o amor e a caridade”.

O cardeal-patriarca destaca ainda “a determinação com que levou por diante a vida interna da Igreja e com que decidiu resignar, quando concluiu que já não estava em condições para exercer o ministério”.

O patriarcado de Lisboa informa que no dia 2 de janeiro, às 19h00, na Sé Patriarcal, D. Manuel Clemente irá presidir a uma missa de sufrágio pelo Papa emérito Bento XVI.

Um nota publicada recomenda ainda que “nas igrejas, se dobrem os sinos a anunciar ao povo de Deus” a morte do Papa Emérito e são pedidas orações “pelo seu eterno descanso”.

PR/LS

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