Jovens de t-shirt azul acompanharam visita do Papa Bento XVI a Portugal, em 2010

Lisboa, 05 jan 2023 (Ecclesia) – Filipa Lemos Caldas, do “núcleo duro” da iniciativa ‘Eu Acredito’, que juntou milhares de jovens na visita de Bento XVI a Portugal, considera que tocaram “o coração” do Papa que “sentiu uma proximidade” com a juventude de t-shirt azul.

“Não sei se posso falar por todos, mas a ideia com que eu fiquei, e acho com que os jovens ficaram foi essa: O Papa de facto sentiu uma proximidade connosco. Estávamos à espera de um Papa mais carrancudo, pouco afetivo, pouco sensível, mais intelectual, e a grande surpresa para todos, não só para os jovens, foi que não foi isso que nos chegou”, desenvolveu em entrevista à Agência ECCLESIA.

A iniciativa ‘Eu Acredito’ resultou do trabalho conjuntos de vários movimentos da Igreja que se uniram para a visita de Bento XVI a Portugal, em 2010, e conseguiram “unir esforços”, em vez de se organizaram “20 iniciativas, em que os Escuteiros faziam uma, a Companhia de Jesus, as Equipas (Jovens de Nossa Senhora) faziam outra”.

“Aquilo que fica mais na minha memória, com mais consolador desta experiência, é como foi possível que pessoas com origens tão diferentes se tivessem unido e tenhamos conseguido que houvesse um único projeto, uma única iniciativa, e que depois teve esse significado, uma onda azul, só de uma cor, todos juntos, representa uma Igreja que é una”, desenvolveu Filipa Lemos Caldas.

A viagem apostólica do Papa Bento XVI a Portugal decorreu entre 11 e 14 de maio de 2010, começou em Lisboa, esteve no Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13, onde os milhares de jovens da iniciativa ‘Eu Acredito’ marcaram presença, e terminou no Porto.

“Eu acho que lhe tocamos o coração”, acrescenta a entrevistada, lembrando também que o Papa “sorriu muito, olhou as pessoas nos olhos”.

Em Lisboa, os jovens de t-shirt azul participaram na Missa no Terreiro do Paço, depois de descerem a Avenida da Liberdade, e, à noite, foram ter com Bento XVI à Nunciatura Apostólica, onde se sentiu “uma espécie de laço que era afetivo”.

“O Papa vem com imenso sentido de humor à janela, e diz que está a gostar muito, mas temos de o deixar dormir porque amanhã o dia é longo e o que se ouve é uma gargalhada geral é revelador desta grande proximidade que se criou ali”, recordou, considerando que o Papa achou-lhes “graça”.

“O facto de estarmos todos na mesma onda, aquela onda azul que desceu a Avenida da Liberdade, eu acho que essa onda geral toca, porque a Igreja gosta disso, precisa disso, precisa de jovens, precisa de sangue novo, e não sei se de alguma forma não levou o Papa também a baixar a guarda, digamos assim, a baixar o muro um bocadinho mais frio, e a mostrar-se próximo de nós.”

Em 2011, um grupo de jovens da iniciativa ‘Eu Acredito’ viajou até ao Vaticano para agradecer a Bento XVI a sua visita, e Filipa Lemos Caldas, Pedro Rocha e Melo e João Valentim, em representação de todos, entregaram ao Papa um álbum com fotografias, memorias, e uma t-shirt azul.

“O Papa foi muito simpático, e o João Valentim até fez uma brincadeira disse que gostávamos de o ver andar de t-shirt azul em Castel Gandolfo. Para além de uma gargalhada que deu, acho que ficou a faltar só ver uma fotografia de t-shirt azul, tinha sido um momento de imenso sentido de humor. Houve proximidade, sentido de humor, liberdade interior de estar próximo”, desenvolveu a entrevistada no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

Bento XVI, Papa entre 2005 e 2013, faleceu a 31 de dezembro de 2022, aos 95 anos de idade; a Missa exequial realizou-se hoje, presidida pelo Papa Francisco, e reuniu milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

HM/CB

 

Foto «Eu Acredito» (arquivo, 2011)

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