Nos 250 anos da restauração da diocese, programa pastoral incide na prática cristã da liturgia

Apresentação Plano Pastoral da Diocese de Beja; Agência Ecclesia/HM

Beja, 21 set 2019 (Ecclesia) – D. João Marcos quer que os diocesanos de Beja possam caminhar de uma “religiosidade natural” para uma prática cristã, com a exigência de uma formação sólida extensível ao clero diocesano “bem-intencionado, mas mal preparado”.

“Este é um ano de festa para toda a diocese, os 250 anos de restauração e queremos que a eucaristia seja o momento em que a Igreja aparece como Igreja celebrante”, explicou hoje o bispo de Beja à Agência ECCLESIA, durante a apresentação do programa para o ano pastoral 2019/2020, com o lema ‘Somos Igreja Celebrante’.

O responsável deu conta da ligação entre os objetivos do ano passado, onde procuraram em “reuniões arciprestais aprofundar a iniciação cristã”, apostando agora na eucaristia.

D. João Marcos lamenta que, “apesar de toda a boa vontade”, “alguns padres diocesanos não tenham sido formados solidamente sobre a eucaristia, sobre o celebrar”.

“Temos de trabalhar. É necessário que a eucaristia seja celebrada como ela é e não como pensamos que deve ser”, afirma.

Outra prioridade apresentada no programa pastoral incide no catecumenado, naquilo que o responsável entende como o “mergulhar progressivo na Igreja e na realidade”.

“O catecumenado não é uma preparação para o batismo, mas é o batismo. Não há outra porta para a vida cristã. Podemos faze-lo melhor ou pior, mas isto é claro”, indica.

A falta de preparação leva “muitos padres a batizar adultos como se fossem crianças”, realidade que é necessário mudar junto de diáconos e sacerdotes.

“Uma pessoa que não é bem preparada, que não é mergulhada existencialmente em Cristo, é batizada mas sem condições para crescer, desenvolver e dar frutos”, ressalva.

O bispo diocesano quer ainda ajudar as pessoas a fazer o caminho entre a “religiosidade natural” para uma prática cristã, “própria dos cristãos, que têm uma maneira de celebrar diferente”.

“O que tem acontecido nesta, e noutras dioceses, é que tudo o que é festas populares tem sido delegado pelos pastores como religiosidade natural. Vamos procurar implementar um religiosidade cristã”, sublinhou.

D. João Marcos fala de um programa “exigente” mas, acredita, poderá ser benéfico para a diocese de Beja.

“Tenho consciência da exigência, também pela minha prática pastoral enquanto pároco. Dei bastante importância à iniciação cristã, e isso, a meu ver, preparou-me para este trabalho na diocese de Beja”, resume.

A apresentação do programa pastoral foi feita aos responsáveis dos serviços diocesanos e a tantos leigos que neste dia se reuniram no centro pastoral do seminário.

“Um rosto da diocese está aqui: no seu melhor está aqui, mas estes estão em função dos que aqui não estão e também são diocese”, adverte o bispo de Beja.

O padre Manuel Pato, pároco de Odemira, dá conta da importância das pequenas comunidades “onde se partilha a vida e a fé”.

“Temos uma diocese vasta territorialmente e pouco relacional. O clero chegar a todo o lado é difícil. É nas reuniões informais que homens e mulheres partilham a experiência de fé e de vida”, enaltece o sacerdote.

Da sua experiência sacerdotal e de coordenação e animação pastoral, o padre Manuel Pato dá conta da necessidade de uma “reevangelização séria” e de um sentido de “intimidade com Jesus”.

“Reza-se pouco e só há vida cristã com intimidade com Jesus”, sublinha.

O jovem acólico e membro do movimento Convívios Fraternos, João Lima afirma a importância de participar nas “inúmeras atividades que felizmente são propostas”.

“Gostamos de intervir nos dias diocesanos, participar no Fátima Jovem, nas inúmeras atividades que felizmente são propostas, para nos podermos formar e passar a fé aos outros para fazer a diferença”, explica o jovem de 17 anos, acólito na cidade e participante assíduo em campos de férias.

João Lima dá conta que em ambiente escolar inscreveu-se em Educação Moral e Religiosa Católica até ao 9º ano mas, posteriormente deixou de ter essa oferta educativa.

“É normal haver piadas sobre a religião. O que tentamos fazer é, aos poucos, viver Jesus Cristo de uma forma que nos perguntem por isso. Não andar sempre a falar mas sermos questionados pela nossa escolha e vida”, explica.

HM/LS

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