«Agora falas tu» ouviu o que sete jovens tinham a dizer à Igreja em Aveiro

Foto DNPJ de Aveiro

Aveiro, 22 out 2018 (Ecclesia) – Sete jovens da diocese de Aveiro tomaram a palavra no encontro «Agora falas tu» para dizer à Igreja o que sentem perante a proposta eclesial e o que pode ser mudado para se sentirem mais acolhidos.

O estudante de Engenharia Mecânica João Figueiredo está em processo de discernimento para decidir se vai ser batizado.

“É um caminho que estou a ponderar: sempre tive uma ligação próxima com a Igreja. Os meus grandes amigos são todos muito ligados à Igreja e isso sempre me reconfortou”, afirma à Agência ECCLESIA este jovem de 21 anos que percebeu depois de uma experiência em Taizé que o estar em Igreja poderia ter contornos diferentes daqueles a que assiste nas comunidades portuguesas.

Estar numa igreja, “juntamente com duas mil pessoas, a rezar, em silêncio” foi uma experiência marcante para o estudante que se deixou tocar pelo facto de no final da celebração ter alguém ao seu lado com quem conversar.

“Uma missa aqui pode ser boa ou não dependente do padre que a celebre. O bom de lá é que acaba o tempo de oração e temos uma pessoa ao lado com quem podemos falar de tudo. Aqui acaba a missa, cada um vai para sua casa e não há um toque entre as pessoas. E isso faz muita diferença”.

Eduardo Veiga, do Grupo de Jovens da Paróquia de Dornelas, sublinhou no encontro a importância das comunidades estarem cientes dos seus valores e se mostrarem abertas e disponíveis para escutar os jovens “na sua vida concreta”.

“Se tivermos os valores da comunidade bem presentes teremos sempre os jovens cativados porque vão sentir-se sempre parte de algo”, afirma este jovem de 17 anos à Agência ECCLESIA.

Para este estudante a Igreja, “os padres e as comunidades religiosas” estão a “tomar consciência” de que não estavam muito disponíveis para os jovens.

Apesar de “ter o boletim completo” quanto aos sacramentos, Eduardo Veiga não se afirma melhor do que outros: “Isso não faz de nós cristãos”.

O Bispo de Aveiro ouviu os desabafos dos sete jovens e à Agência ECCLESIA sublinhou a importância de “fazer caminho”.

“Os jovens o que pedem à Igreja é que encontrem espaços onde sejam bem acolhidos e onde possam fazer uma caminhada de fé. Damos conta que os jovens têm muitas dúvidas, como é normal, e têm de encontrar espaços e pessoas que os ajudem a caminhar”, reconheceu D. António Moiteiro.

O responsável indicou a que só a partir de uma experiência pessoal, “tal como fizeram os discípulos de Emaús, que converteram o seu caminho a partir do encontro com Jesus”, se pode depois enquadrar a proposta que a Igreja faz.

“Enquanto não se der o encontro, a Igreja, os mandamentos, as normas morais são sempre vistas como um travão que se opõe à liberdade fugaz em que muitos jovens se encontram”.

D. António Moiteiro afirma a sua esperança de que o Sínodo que decorre no Vaticano, sobre «os jovens, a fé e o discernimento vocacional» ajude a dar “mais espaço, lugar, atenção e importância aos jovens”.

O primeiro encontro «Agora falas tu» escutou “sem filtro” o que sete jovens tinham a dizer e, afirma o padre Leonel Abrantes, haverá continuidade.

“A grande lição que tiramos daqui hoje é perceber que nenhum de nós tem um caminho feito, terminado, estamos todos em processo de conversão: uns mais próximo outros mais afastados, e o Papa é o primeiro a dar esse exemplo”.

O Departamento da Pastoral Juvenil de Aveiro quer, num processo de reconhecimento, “ouvir os jovens” para em vez de “impor, ajudá-los a fazer o seu caminho. Foi o que Jesus fez”.

LS

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