D. Vincenzo Guo Xijin recusa aderir à Associação Patriótica, controlado por Pequim, e manifesta fidelidade ao Papa e ao Vaticano

Lisboa, 31 jan 2020 (Ecclesia) – O bispo D. Vincenzo Guo Xijin, bispo auxiliar de Mindong, na China, foi obrigado a sair de casa depois de as autoridades chinesas lhe terem cortado a água e a luz na sua residência.

“D. Guo Xijin foi desalojado recentemente da residência onde vivia, juntamente com alguns sacerdotes, depois de as autoridades terem cortado a água e a eletricidade, invocando «razões de segurança». Um letreiro colocado no edifício explica que este não cumpre com as normas de segurança relativas a incêndios e por isso teve de ser encerrado”, indica um comunicado da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, enviado à Agência ECCLESIA.

De acordo com a agência de notícias Asia News este episódio enquadra-se num “gesto de pressão e raiva” contra o bispo e os sacerdotes que, tal como ele se negam a aderir à Associação patriótica, controlada pelo governo: em junho D. Vincenzo Guo Xijin afirmou preferir a “perseguição” a aderir à Associação Patriótica.

Na China existe a chamada Igreja Clandestina, não oficial, cujos fiéis permanecem ligados ao Papa e ao Vaticano; em 2018 foi assinado um acordo considerado histórico entre a China e o Vaticano, sobre a nomeação de bispos.

“Na assinatura do referido acordo, o Vaticano colocou D. Guo Xijin como bispo-auxiliar de D. Vincenzo Zhan Silu, que era o prelado indicado pelo governo de Pequim para a diocese de Mindong, retirando-lhe a situação de excomunhão em que se encontrava”, avança a AIS.

D. Guo Xijin manifestou-se sempre fiel ao Papa e “tem-se recusado a aderir à estrutura da Igreja organizada pelo Partido Comunista e que depende exclusivamente das autoridades de Pequim”.

A Asia News avança que tal como o bispo auxiliar recusou a sua adesão à Associação Patriótica, “muitos padres” têm seguido o mesmo caminho e, “nos últimos dias, pelo menos cinco paróquias foram fechadas”, invocando-se também imperativos de segurança, deixando assim cerca de 10 mil fieis em Fuan e três mil em Saiqi sem paróquia.

A organização internacional «Human Right Watch», acusou num relatório do início do ano, o regime de Pequim de “vigilância tecnológica” com o objetivo de “silenciar críticos”, falando ainda de “repressão dos muçulmanos uigures”, povo de origem turcomena, sendo uma das 56 etnias oficialmente reconhecidas pela República Popular da China.

“Calcula-se que as autoridades chinesas tenham sob detenção, nos chamados campos de reeducação, cerca de 1 milhão de membros desta minoria muçulmana na província de Xianjiang. Pequim tem justificado estas medidas extremas de opressão étnica e religiosa com a necessidade de combater o terrorismo”, indica ainda o comunicado da AIS.

LS

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