Viver e testemunhar a verdade de Jesus

Aquilo que nos preenche o coração e testemunhamos é a verdade de Jesus, ou são os nossos interesses e critérios egoístas? A liturgia deste 8.º domingo do tempo comum convida-nos a refletir sobre esta questão.

O Evangelho dá-nos os critérios para discernir o verdadeiro do falso mestre: o verdadeiro mestre é aquele que apenas apresenta a proposta de Jesus gerando, com o seu testemunho, comunhão, união, fraternidade, amor; o falso mestre, cujo anúncio não tem nada a ver com o de Jesus, é aquele que manifesta intolerância, hipocrisia, autoritarismo e cujo testemunho gera divisões e confusões.

Na mesma linha, a primeira leitura do Livro de Ben-Sirá dá-nos um conselho muito prático e útil: não julguemos as pessoas pela primeira impressão ou por atitudes mais ou menos teatrais, mas deixemo-las falar, escutando-as com tempo e atenção, pois as palavras revelam a verdade ou a mentira que há em cada coração.

Na segunda leitura, Paulo conclui a catequese aos coríntios sobre a ressurreição. Nessa centralidade, viver e testemunhar com verdade, sinceridade e coerência a proposta de Jesus é o caminho necessário para a vida plena que Deus nos reserva.

A história da trave e do argueiro do Evangelho convida-nos a pensar sobre a hipocrisia que também pode passar nas nossas vidas. É fácil reparar nas falhas dos outros e enveredar pela crítica fácil que, tantas vezes, afeta a reputação e fere a dignidade das pessoas; é difícil utilizar os mesmos critérios de exigência quando estão em causa as nossas pequenas e grandes falhas. Somos tão exigentes connosco como somos com os outros? Temos consciência da nossa necessidade permanente de conversão e de transformação? Eis um profundo convite à verdade, à coerência e à humildade, sem julgar os outros.

Pode acontecer que anunciemos as nossas teorias e as nossas perspetivas, em lugar de anunciar Jesus e as suas propostas. Às vezes corremos o risco de atribuir a Jesus mandamentos e exigências que desvirtuam totalmente o sentido global das propostas que Jesus faz. É preciso um permanente confronto do nosso anúncio com o Evangelho e com o sentir da Igreja, a fim de que anunciemos Jesus e não traiamos a verdade da sua proposta libertadora.

Levemos o Evangelho no coração, que nos convida a sermos verdadeiros connosco mesmos, com os outros, com Deus, procurando sempre o bem e a bondade, como nos convida o Evangelho de hoje: «O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; o homem mau, da sua maldade tira o mal, pois a boca fala do que transborda do coração».

Eis um bom programa de vida para esta semana em que se inicia a quaresma, tempo de conversão das nossas vidas, para que sejam habitadas pela bondade, verdade e humildade, que recebemos do Coração de Deus.

P. Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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