Amar sem limites

O amor total, o amor sem limites, mesmo para com os inimigos, é a exigência principal na liturgia deste 7.º domingo do tempo comum. Trata-se de pôr de lado a lógica da violência, substituindo-a pela lógica do amor.

A primeira leitura dá-nos o exemplo do rei David, um homem de coração magnânimo que, tendo a possibilidade de eliminar o seu inimigo, escolhe o perdão.

O Evangelho reforça esta proposta. Exige dos seguidores de Jesus um coração sempre disponível para perdoar, para acolher, para dar a mão, independentemente de quem esteja do outro lado. Não se trata de amar apenas os amigos e familiares, os membros do próprio grupo social, da própria raça, do próprio povo, da própria classe, partido, igreja ou clube de futebol; trata-se de um amor sem discriminações, que nos leve a ver em cada pessoa, mesmo no inimigo, um nosso irmão.

Humanamente é impossível obedecer a todos estes mandamentos de Jesus. Mas não podemos apagar estas palavras tão desconcertantes. Jesus dá-nos uma luz, dizendo que mesmo os pecadores são capazes de agir bem uns para com os outros. Já é bom amar os que nos amam, fazer bem aos que nos fazem bem. Mas aos olhos de Jesus, isso não basta. É preciso ir mais longe, porque somos filhos e filhas do Deus Altíssimo, somos da família de Deus, que é bom para os ingratos e os maus.

Como seguidores de Jesus Cristo, não podemos recorrer às armas, à violência, à mentira, à vingança para resolver qualquer situação de injustiça que nos atinge. Somos convidados a imitar a maneira de agir de Deus nosso Pai. Ele não ama apenas aqueles que O amam. Ama a todos, bons e maus. E mesmo quando os homens O colocam à margem da sua vida, Ele não deixa de os amar. Jesus, que é o Filho muito amado, a perfeita imagem de Deus, rezou na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Amou os seus inimigos. Nunca rejeitou ninguém.

O que Jesus nos diz hoje não são normas culpabilizantes e impraticáveis. São convites, urgentes e exigentes, é verdade, para que manifestemos, pela nossa maneira de agir, que somos da família do nosso Pai dos céus. Cristãos, somos convidados a colocar a nossa vida na luz de Jesus e da sua Palavra.

Levemos essa Palavra para a vida desta semana. Qual será a minha atitude para com determinado vizinho, colega, próximo… que me magoou ou feriu profundamente? Saberei permanecer no amor ao outro, quando tudo me pede para lhe responder na mesma moeda? Ao longo da semana, podemos retomar, de forma meditativa, o Evangelho deste domingo, pedindo a Deus mais sinceridade nas nossas atitudes e ações, e rezar a oração do Salmo 122, para sermos clementes e compassivos como o Senhor.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

 

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