Senhor, aumenta a nossa fé!

O Evangelho deste vigésimo sétimo domingo do tempo comum começa com o pedido dos Apóstolos a Jesus: «Aumenta a nossa fé!» Jesus já tinha ouvido uma súplica semelhante, na boca do pai da criança epilética: «Vem em ajuda da minha pouca fé!»

A resposta de Jesus é surpreendente, até provocadora, sem dúvida: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia». A sua resposta, na realidade, força-nos a ir para além do imediato e do sensacional.

A fé é já um caminho humano. Quando duas pessoas se amam, sabem muito bem que o seu amor não se pode demonstrar cientificamente. O amor descobre-se como um dom gratuito, mas constrói-se na confiança. Posso dizer àquele ou àquela que amo “eu sei que te amo”, porque sei o que vibra dentro de mim. Mas ao mesmo tempo não posso dizer-lhe “creio que tu me amas”, porque não estou na pele do outro. O amor implica, pois, um salto num certo desconhecido, mesmo se apoiado em supostas provas tangíveis.

Quando se trata da nossa relação com Deus, a fé é, sem dúvida, mais difícil, porque não tem, ou tem muito pouco, suporte afetivo. Mas o princípio acaba por ser o mesmo. Sou convidado a ter confiança na Palavra de Deus, que se realiza plenamente em Jesus e é transmitida pelos seus primeiros discípulos. Jesus dá-lhes como missão serem suas testemunhas autorizadas. Posso, sem dúvida, pôr em causa o seu testemunho e não aderir a Jesus, exigindo provas convincentes. Mas posso igualmente comprometer-me noutro caminho, da plena e confiante adesão à Pessoa de Jesus Cristo.

A fé só se pode viver numa relação de amor que nos faz ver para além das aparências, porque vemos com os olhos, mas Deus vê com o coração. «Sim, Jesus, aumenta em mim a fé, para que eu possa amar-Te sempre cada vez mais».

Neste primeiro domingo de outubro, mês missionário extraordinário a nos lembrar que a Igreja é missão, procuremos levar a Palavra de Deus como luz da fé para mais uma semana de vida, nas alegrias e nas tristezas do nosso quotidiano.

Meditemos a mensagem do Papa para o próximo Dia Mundial das Missões, que nos convida a reavivar a fé que recebemos nos batismo e nos envia como discípulos missionários. Anunciemos Jesus Cristo no testemunho quotidiano das nossas vidas, famílias e comunidades. Vivamos este mês missionário com a especial intercessão da Senhora do Rosário, Rainha das Missões e Estrela da Evangelização. Procuremos rezar e meditar a Palavra de Deus, transformando-a em atitudes e gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida, sempre em atitude de fé e de amor.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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