Viver como peregrinos na fé

As três parábolas do Evangelho deste 19.º domingo do tempo comum apresentam uma catequese sobre a vigilância, propondo aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do Reino.

Gostaria de salientar hoje a mensagem da segunda leitura, que apresenta Abraão e Sara como modelos de fé para os crentes de todas as épocas. O capítulo 11 da Carta aos Hebreus começa com a descrição da fé, aqui entendida como a «garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se veem». Nesta perspetiva, a fé é posta em relação com a esperança, dirigindo-se ao futuro e ao invisível. Ao mesmo tempo, como bem acentua Paulo, a fé é sobretudo adesão a Jesus e estabelecimento de uma relação pessoal entre os crentes e o Senhor.

Na sequência, é apresentada uma autêntica galeria de figuras do Antigo Testamento que, por terem vivido na fé e da fé, são modelo para todos os crentes.

Os versículos de hoje apresentam-nos as figuras de Abraão e de Sara. Pela fé, Abraão acolheu o chamamento de Deus, deixou a sua casa e partiu ao encontro do desconhecido e do incómodo; pela fé, Abraão aceitou estabelecer-se numa terra estranha e aí habitar; pela fé, Sara pôde conceber e dar à luz Isaac, apesar da sua avançada idade; pela fé, Abraão não duvidou quando Deus mandou sacrificar, no alto de um monte, o seu filho Isaac, o herdeiro das promessas e o continuador da descendência. Abraão não viu concretizar-se a promessa da posse da terra, nem a promessa de um povo numeroso; mas, pela fé, ele contemplou antecipadamente a realização das promessas de Deus, “saudando-as de longe”. Assim, Abraão assumiu a sua condição de peregrino e estrangeiro, ansiando constantemente pela cidade futura e caminhando ao encontro do céu, a sua pátria definitiva.

É precisamente esse exemplo que o autor da Carta aos Hebreus quer propor aos cristãos perseguidos e desanimados: vivei na fé, esperando a concretização dos dons futuros que Deus vos reserva, e caminhai pela vida como peregrinos, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva.

Como cuidamos o tesouro da fé que o Senhor depositou no nosso coração? Vivemos como peregrinos na fé, centrada na adesão a Jesus Cristo e vivida com os irmãos da comunidade? Que esta semana nos ajude a reavivar este essencial dinamismo da nossa existência!

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

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