Confiar sempre em Deus

A liturgia do 12.º Domingo do Tempo Comum diz-nos que, ao longo da nossa caminhada pela terra, não estamos perdidos, sozinhos, abandonados à nossa sorte: Deus caminha ao nosso lado, cuidando de nós com amor de pai e oferecendo-nos a cada passo a vida e a salvação.

A primeira leitura fala-nos de um Deus majestoso e omnipotente, a quem nos entregamos com humildade e total confiança.

A segunda leitura garante-nos que o nosso Deus não é um Deus indiferente, mas é um Deus que nos ama e que quer ensinar-nos o caminho da vida.

No Evangelho, Marcos propõe-nos uma catequese sobre a caminhada dos discípulos em missão pelo mundo. Os discípulos nunca estão sozinhos a enfrentar as tempestades que todos os dias se levantam no mar da vida. Os discípulos nada têm a temer, porque Cristo vai com eles na barca da vida.

Toda a cena da tempestade acalmada se desenrola durante a noite. É o momento em que todas as forças do mal podem agir com toda a impunidade. O barco está no mar, o lugar onde residem as forças demoníacas. Marcos quer fazer-nos compreender que, para além da brusca tempestade, os discípulos são confrontados para um combate bem mais profundo e dramático: o combate contra o mal, não somente o mal natural, mas sobretudo o mal que habita e trabalha no coração das pessoas.

Nos apóstolos, ultrapassados pela violência da tempestade, todos nós somos sinalizados quando ultrapassados pelo poder do mal, que parece vencer ainda e sempre. Para vencer o mal, é preciso recorrer a um poder maior. Felizmente Jesus está lá, Ele dispõe do poder divino. Os discípulos parecem perdidos, mas Jesus acaba por despertar; esta mesma palavra que Marcos empregará para dizer a Ressurreição de Jesus: “Ele despertou de entre os mortos”.

Podemos assim compreender o sentido mais profundo deste milagre da tempestade acalmada. Jesus vem ao coração da nossa história, desce até ao fundo do mistério do mal. Mas Deus, em Jesus, respeitando infinitamente a nossa liberdade, junta-se às nossas vidas, esconde-se nas nossas tempestades e nas nossas mortes, para aí colocar a sua presença, mais forte que todas as trevas. Só após a vitória aparente da morte é que Ele manifestará o poder da sua Ressurreição. O que Ele nos pede hoje é para crer, para Lhe dar a nossa confiança.

Sejamos verdadeiros discípulos que aderem a Jesus, vivendo em permanente comunhão e intimidade com Jesus, em constante escuta de Jesus, caminhando com Ele, descobrindo a cada instante a sua presença reconfortante ao nosso lado. Contemos sempre com Jesus, não apenas nos momentos de dificuldade e de crise, mas nas situações de alegria e de esperança.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.pt

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