Caminhar sempre no amor

Na liturgia da Palavra deste 23.º Domingo do Tempo Comum, podemos realçar a mensagem da segunda leitura da Carta aos Romanos em que São Paulo nos apresenta a essência do ser cristão: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros. A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei».

O cristianismo sem amor é uma mentira. O cristão nunca poderá cruzar os braços e dizer que já ama o suficiente ou que já amou tudo: ele tem uma dívida eterna de amor para com os seus irmãos.

Esta ideia de que toda a Lei se resume no amor não é uma invenção de Paulo, é uma constante na tradição bíblica.

Na última ceia, despedindo-se dos discípulos, Jesus resumiu desta forma a proposta que veio apresentar aos homens: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Este não é mais um mandamento, mas é o mandamento de Jesus.

Entretanto, algures durante a nossa caminhada pela história, esquecemo-nos disto e distraímo-nos com questões secundárias. Preocupamo-nos em discutir ritos litúrgicos, problemas de organização e de autoridade, códigos de leis, questões de disciplina – tudo com a sua devida importância, certamente – mas esquecemos o mandamento do amor. É tempo de voltarmos ao essencial. O cristão é aquele que, como Cristo, ama sem cálculos, sem contrapartidas, sem limites, sem medidas.

As nossas comunidades cristãs, a exemplo da primitiva comunidade cristã de Jerusalém, deviam ser comunidades fraternas onde se notam as marcas do amor. Quem contempla as nossas comunidades nunca deveria ver em nós as marcas da insensibilidade, do egoísmo indiferente, do confronto, do ciúme, da inveja. Os estrangeiros, os doentes, os necessitados, os débeis, os refugiados, os marginalizados e descartados devem ser acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor.

Procuremos ser comunidades missionárias e hospitaleiras. Todos os dias, podemos realizar gestos de partilha, de serviço, de acolhimento, de reconciliação, de perdão; mas é preciso ir sempre mais além. Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída.

O convite a sermos sentinelas de Deus, na primeira leitura, e a ajudarmos o irmão perante os seus erros, no Evangelho, só pode ser assumido neste dinamismo essencial do amor.

E já agora, deixemo-nos levar pela oração do Salmo 94: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações». Que assim seja ao longo desta semana!

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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