D. Armando Esteves Domingues referiu-se ao despovoamento, a saída dos jovens, a quem pediu que sejam «portadores saudáveis de alegria», a falta de vocações e as dificuldades de coesão

Angra do Heroísmo, Açores, 03 nov 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra alertou para abalos que marcam a realidade açoriana, e apelou à união, à responsabilidade social e à renovação da esperança, tendo Cristo como alicerce, na Eucaristia dos 492 anos desta diocese, na Sé.
“O despovoamento das localidades, a partida dos jovens, a falta de vocações e a dificuldade em construir relações num território marcado pela fragmentação”, são “terramotos” que abalam os Açores na sua identidade mais profunda, disse D. Armando Esteves Domingues, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’.
Para o bispo de Angra referiu o desalento perante problemas que permanecem por resolver e que correm o risco de se tornar crónicos, e observou que a fidelidade da comunidade diocesana foi sendo posta à prova ao longo da história por vários abalos, não apenas os terramotos naturais, mas também por problemas sociais e demográficos que afetam o arquipélago português.
“Uma comunidade que, certamente, ao longo da sua história derramou lágrimas de luto e de dor, mas que é agradecida, pois o amor do Senhor é para sempre e a Sua graça é como a água-viva que jorra para fora do Seu Templo”, destacou, acrescentando que a comunidade permaneceu firme porque encontrou em Cristo a “rocha firme”.
D. Armando Esteves Domingues presidiu à Eucaristia dos 492 anos da criação da Diocese de Angra, a 3 de novembro de 1534, salientando que é o celebrar o memorial do amor e da graça de Deus que, ao longo de quase cinco séculos, continua a marcar a vida da comunidade diocesana.
“Após 492 anos, não permitais que alguma vez esta nossa Igreja Local, a Diocese de Angra, envelheça no hábito, na inércia ou em cuidar simplesmente das cinzas”, pediu à diocese que vai celebrar cinco séculos em 2034.

O portal de notícias da Diocese de Angra informa que D. Armando Esteves Domingues convocou a diocese a assumir o desafio da conversão pessoal e comunitária, em linha com o Projeto de Pastoral, que propõe perceber “como passar à outra margem”, e identificou fragilidades nas comunidades, como o afastamento e a indiferença de alguns cristãos às dificuldades dos outros.
“Sabemos que as comunidades e os seus ritmos não são todos iguais. Cada uma tem a sua história, mas já há, em todas, cristãos que se afastaram ou se tornaram indiferentes: há famílias com fragilidades, há pobres, idosos, mas também jovens em dificuldade; todos são necessários”, explicou D. Armando Esteves Domingues, que assinalou o quarto aniversário da sua nomeação como bispo titular desta diocese.
O bispo de Angra incentivou ao fortalecimento da fé e da esperança, num mundo marcado por guerras, desordens e “terramotos” espirituais, antropológicos e existenciais, devido à “previsível insensatez do ser humano”.
A história de uma diocese é Ele, o Ressuscitado visível na ação de todo o Povo de Deus; a Igreja só é verdadeiramente Igreja quando sai para construir laços de unidade com todos, todos, todos.”
D. Armando Esteves Domingues dirigiu-se também aos jovens e pediu que se deixem “fascinar pela Palavra de Jesus” e que saibam “dar-lhe forma” na sua vida e na vida dos outros, “certos de que o Senhor nada tira e tudo dá”, lembrando Bento XVI.
“Sede jovens portadores saudáveis de alegria. Estai abertos à vida; sede originais e criativos no amor e na entrega de vós próprios, não fotocópias, como gostava de dizer Carlo Acutis. Sede vós mesmos, em primeira pessoa, protagonistas da vossa história e da história dos outros nesta vossa terra, guiados pelo sopro do Espírito”, concluiu o 40.º bispo de Angra, lê-se no sítio online ‘Igreja Açores’.
CB/OC
| A Diocese de Angra tem 17 ouvidorias e 165 paróquias, foi criada a 5 de novembro de 1534, pelo Papa Paulo III, através da bula Aequum reputamus, unificando a jurisdição espiritual de todo o arquipélago dos Açores, território que dependia da Ordem de Cristo e da Diocese do Funchal.
Esta diocese com sede na cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, abrange as nove ilhas açorianas, uma superfície total de 2.243 km², e pertence à Província Eclesiástica de Lisboa. |
