Soledade Carvalho Duarte fala em texto «absolutamente extraordinário», com mensagem de «acolhimento e carinho»

Lisboa, 07 abr 2019 (Ecclesia) – A Paróquia de Santa Isabel, no Patriarcado de Lisboa, antecipou as indicações do Papa Francisco, na sua exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’, publicada há três anos, no acolhimento de pessoas recasadas, com o grupo ‘Reparar’.

Soledade Carvalho Duarte e João Virott da Costa partilham com a Agência ECCLESIA a experiência de serem recebidos pela Igreja como “um sinal de enorme misericórdia”, elogiando o texto assinado pelo pontífice.

“Achei um texto notável, daqui a 100 anos ainda se vai falar dele”, disse Soledade Carvalho Duarte, considerando que o documento pós-sinodal do Papa Francisco é “absolutamente extraordinário” e fala de “acolhimento, carinho, muito acompanhamento e muita reflexão e oração”.

“As situações de casamento que não vingam são cada vez maiores e muitas dentro de comunidades, de famílias católicas e gente que leva muito a sério a sua de fé e a sua vida cristã. Diria que é um tal manancial de pessoas que passam por esse desgosto que a Igreja tinha de ter uma solução e abertura”, desenvolveu.

O Papa Francisco propõe na sua exortação apostólica sobre a família, publicada em 2016, um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

Na entrevista que vai ser transmitida no programa ECCLESIA, desta segunda-feira (15h00/RTP2), João Virott da Costa afirma que os recasados “precisam de Deus na sua relação”.

Soledade Carvalho Duarte contou que tinha “prática religiosa diária – Missa e comunhão diária”, teve “toda a vida uma ligação forte à Igreja”, mas quando o “primeiro casamento colapsou, independentemente de um sofrimento enorme”, sentiu que “o chão faltava” porque “algumas experiências levaram a perceber que estava excluída da vida da Igreja”.

Em 2003, por indicação de um psiquiatra, foi falar com o pároco de Santa Isabel, no Patriarcado de Lisboa.

“Fui literalmente resgatada e apanhada do chão pelo padre José Manuel Pereira de Almeida; a primeira coisa que disse foi: Soledade, você está em Igreja porque nós somos Igreja”, acrescentou.

João Virott da Costa contextualizou que teve uma educação com “alguma proximidade à religião católica”, mas “não tinha muito exemplo em casa”.

“Só quando conheci a Soledade comecei a sentir-me mais inquieto, fiz uma aproximação ao padre José Manuel Pereira de Almeida”, acrescentou, revelando que tinha uma imagem de uma Igreja “em que as pessoas faziam as coisas por repetição, por hábito, por seguirem uma tradição”.

Soledade Carvalho Duarte lembra que o João liderou o início do grupo ‘Reparar’, que começou por ser um “embrião de disponibilidade”, de abertura para pessoas nas mesmas circunstâncias de recasados”, para “fazer algum caminho e desabafar, rezar e partilhar a sua vida”.

“Fez-me sentir Igreja, que estava a acolher os que se sentiam poucos acolhidos; O objetivo era rezarmos juntos, fazermos partilhas, preparávamos textos, fazíamos espécie de retiro de dia. Alguma coisa que se ia atenuando”, explicou o mentor do grupo.

A exortação apostólica sobre a Família  ‘Amoris laetitia’ (A Alegria do Amor), com nove capítulos, em mais de 300 pontos, foi publicada a 8 de abril de 2016; é uma reflexão que recolhe as propostas de duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2014 e 2015) e dos inquéritos aos católicos de todo o mundo.

HM/CB/OC

 

 

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