Sacerdote que se encontra escondido depois de ter recebido “inúmeras ameaças” pede intervenção internacional

Lisboa, 23 jul 2018 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alerta para a violência e a repressão sobre a população na Nicarágua que atinge também a Igreja Católica e há sacerdotes que pedem a intervenção da Comunidade Internacional.

“Eles ameaçaram-nos de morte porque dizem que somos os líderes desta situação”, afirma o padre Augusto Gutiérrez.

Para o pároco no bairro de Monimbó, no sul de Masaya, está-se a assistir a “um genocídio”, “não tem outro nome”.

O sacerdote encontra-se escondido depois de ter recebido “inúmeras ameaças” e alerta para a “situação de emergência” que vive a Nicarágua.

Segundo o padre Augusto Gutiérrez, divulga a fundação pontifícia através da Agência Católica de Informações (ACI), uma lei antiterrorista, aprovada recentemente, permite que qualquer pessoa possa ser acusada pelas autoridades de instigar a violência.

O secretariado português da AIS recorda que os protestos começaram a 18 de abril e ganharam “força com pedidos de demissão” do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acusado de abuso de poder e de corrupção.

“Calcula-se que já terão morrido entre 277 a 351 pessoas”, devido à resposta “extremamente dura” das autoridades.

Neste sábado, dia 21, por exemplo, “centenas de pessoas manifestaram-se” nas ruas da capital Manágua, contra o Governo e a repressão.

A Igreja Católica tem tentado ser mediadora mas é acusada de estar ao lado dos manifestantes e Daniel Ortega já afirmou que está em curso uma tentativa de “golpe de Estado”.

O governo do presidente da República da Nicarágua, e da sua mulher e vice-presidente Rosario Murillo, estão a ser acusados de abuso de poder e de corrupção.

O político de 72 anos está no poder desde 2007, depois de já ter liderado os destinos desta nação entre 1979 e 1990, sendo que atualmente o sistema político na Nicarágua não prevê limite de mandatos.

“A paz e a vida humana são bens indispensáveis e estão acima de qualquer interesse”, afirmou o presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), o cardeal Angelo Bagnasco, numa carta enviada ao arcebispo de Manágua e presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, o cardeal Leopoldo Solórzano.

No dia 14 de julho, a Arquidiocese de Manágua denunciou que o Centro Social Jesus da Divina Misericórdia foi atacado de forma “brutal e arrogante” por polícias e paramilitares.

Na sua página, na rede social Facebook, explicavam que para além do ataque à instituição onde tratavam feridos, denunciaram que foram “mortas duas pessoas” e destruídos locais ligados à paróquia católica.

CB

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