«Sensibilidade ecológica é ainda insuficiente para mudar os hábitos nocivos de consumo» – Papa Francisco, «Laudato Si»

Montemor-o-Novo, 05 jul 2019 (Ecclesia) – O geógrafo Sven Johannsen afirmou, no contexto do Dia Mundial do Ambiente, que os produtores de alimentos têm “vários desafios” e que todas as pessoas quando “comem, bebem, respiram” estão “a interagir ativamente com os ecossistemas”.

“Se estou a comer uma banana estou a interagir com o ecossistema no Equador, mas como viajou pelo mundo todo para chegar até aqui o meu consumo tem impacto em muitas mais coisas; temos de olhar para isto de uma forma holística porque estamos totalmente dependentes um do outro”, exemplificou o jovem alemão que trabalha na Herdade do Freixo do Meio.

Em declarações à Agência ECCLESIA, Sven Johannsen observa que nesta “interação com o ecossistema” e como estão “totalmente dependentes” sentem que fazem parte “deste reino da natureza, do reino animal”, por isso, não conseguem “olhar para a natureza como uma coisa à parte”.

O Papa Francisco na encíclica ‘Laudato Si’, que está a comemorar quatro anos, escreveu que “cresceu a sensibilidade ecológica das populações”, mas é ainda insuficiente para “mudar os hábitos nocivos de consumo” que parecem expandir-se e desenvolver-se.

A Herdade do Freixo do Meio é uma exploração familiar no concelho de Montemor-o-Novo que se dedica à agroecologia “desde sempre” e à agricultura biológica desde 1997, para “produzir alimentos, respeitando o meio ambiente” e repensam a forma de consumir, onde envolvem os seus clientes.

“Tentamos promover um consumo responsável, quando vou adquirir um alimento, consumir, pensar o que vem com ele: Um alimento produzido na região, respeitando o meio ambiente, respeitando o custo social, quantas pessoas consigo empregar na minha empresa para produzir o alimento”, desenvolveu.

Na herdade alentejana o sistema de cabazes CSA – Comunidade que Sustenta a Agricultura – é uma das maneiras de formar a comunidade; Os clientes asseguram que vão “adquirir” os produtos “durante seis meses” e os agricultores comprometem-se em “produzir e disponibilizar um cabaz por semana”, que origina “consumos mais responsáveis” que olham “para a sazonalidade e a capacidade produtiva do ecossistema”.

“No sistema do cabaz já sabemos em janeiro a quantidade de comida que precisamos disponível em junho. Não é preciso produzir excesso de alimento”, acrescentou do programa intitulado ‘Partilhar as colheitas’.

«A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. E isto exige sentar-se a pensar e discutir acerca das condições de vida e de sobrevivência duma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo»

Papa Francisco, Laudato Si’

O geógrafo alemão alerta que hoje as pessoas conseguem ir ao supermercado e “comprar cultura do verão”, como o tomate, durante o ano inteiro.

“Para produzir o mesmo no inverno tenho de fazer um grande esforço energético. Já só dá para produzir na estufa, se planto numa monocultura vou precisar de muita água, aos bocadinhos vou gastando os solos”, refere, salientando que face à capacidade económica, “do que sobra do pequeno salário”, os portugueses nem “sempre” têm “capacidade de se preocupar muito não só com a qualidade do alimento mas também dar vista de olhos a todo o resto”.

Os esforços para um uso sustentável dos recursos naturais não são gasto inútil, mas um investimento que poderá proporcionar outros benefícios económicos a médio prazo” (Papa Francisco, ‘Laudato Si’).

O jovem alemão de Hamburgo, que escreveu uma tese sobre a importância do sistema agrícola integrado para a manutenção da paisagem cultural do montado, refere que na Herdade do Freixo do Meio não pretendem ser “farol” mas estão “muito mais num campo de experiência”, implementam técnicas e sistemas que existem noutros lados do mundo ajustadas à realidade alentejana, como uma horta dentro de um olival tradicional que “deu bom resultado”.

CB/OC

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