José Luís Nunes Martins

O amor supõe um esvaziamento de nós mesmos, a fim de darmos espaço ao outro.

Amar exige que sejamos honestos e pacientes, que estejamos presentes em pleno e que esperemos, sem pressa e em silêncio, pelo outro, que, tantas vezes, acaba por chegar apenas quando está menos bem. Só assim seremos o refúgio que importa para quem amamos, o lugar onde essa pessoa pode ser quem é e onde encontra o ambiente necessário para ser melhor.

O mundo anda cada vez mais distraído e desfocado, mas a concretização do amor passa por uma atenção firme, capaz de detetar os pequenos sinais que revelam as mudanças e as necessidades mais íntimas.

Um dia da nossa vida está sempre cheio de apelos de todo o tipo. Somos chamados a responder a vários pedidos de atenção. Ora, dar o nosso tempo é uma forma de nos darmos, mas a maior parte das vezes damos um pouco de nós e seguimos para outro apelo, na estranha expetativa de que conseguiremos chegar a tudo.

Viver e amar supõem que saibamos dizer não. É impossível estarmos inteiros, ao mesmo tempo, em mais do que um lugar.

As nossas escolhas do dia a dia, mais do que serem entre o bem e o mal, são entre bens diferentes, ou seja, temos de escolher um bem em detrimento de outros bens. Claro que há quem tente conjugar mais do que um, sendo que o resultado nunca pode ser bom, na medida em que o amor e a vida nos exigem inteiros e não apenas partes de nós.

É preciso ordenarmos as nossas prioridades e aceder às mais importantes. Não ter prioridades é o suficiente para viver uma vida caótica e, apesar de muito esforçada, pouco produtiva.

Mas amar não é dar apenas atenção, é dar-se. Entregar o coração inteiro e puro, tal como ele é, apesar de tudo pelo que passou.

Pelo amor sou menos eu em mim. E isso é tão bom!

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