Sistema de produção de alimentos quer multiplicar nos campos de refugiados das Nações Unidas

Almada, 11 set 2026 (Ecclesia) – A Paróquia de São Francisco Xavier da Caparica, no Pragal, está a desenvolver o projeto ‘Super Horta, Aquaponia num contentor’ para auxiliar a comunidade e ser replicado em missões humanitárias.
“Eu trabalhei nos campos de refugiados no norte do Quénia e era impressionante a operação logística de apoio alimentar que chegava do porto de Mombaça”, referiu à Agência ECCLESIA o padre Luís Ferreira do Amaral.
O sacerdote explicou que a sua experiência com o elevado consumo de gasóleo e a mobilização de veículos pesados em África o motivou a procurar um sistema de produção alimentar autónomo.
A iniciativa visa aperfeiçoar esta tecnologia agrícola inovadora para futura instalação em campos de refugiados das Nações Unidas ou em estruturas do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).
O projeto experimental decorre atualmente nos terrenos da igreja, situada numa zona de periferia urbana de Almada, marcada pela fragilidade social e com um elevado índice de população oriunda de países africanos de língua oficial portuguesa.
A ideia surgiu através de um amigo de Aveiro, que apresentou ao pároco esta modalidade sustentável que junta a criação de peixes e o cultivo de plantas sem solo num ciclo fechado.









A infraestrutura consiste num contentor branco encimado por uma estufa, equipado com painéis fotovoltaicos, onde as plantas crescem sem qualquer recurso a terra.
“A água permite o crescimento dos peixes que lhe fornecem os nutrientes”, detalhou o promotor da iniciativa, precisando que “as alfaces consomem os nutrientes e limpam a água que regressa ao tanque dos peixes”.
O sistema elimina o desperdício verificado na agricultura tradicional, em que grandes quantidades de água se somem no solo durante a rega, operando com perdas mínimas associadas apenas à evaporação.
“Apenas com um contentor, temos produzido mais de 300 alfaces num mês e trata-se de alimentos biológicos completamente isentos de fertilizantes ou químicos”, referiu o padre Luís Ferreira do Amaral.
O mecanismo exige unicamente uma vigilância básica no local para a recolha dos vegetais, permitindo que toda a programação das dosagens e controlo da água seja efetuada à distância.
O projeto tem a duração prevista de dois anos e conta com o financiamento da Fundação EDP e da Fundação Auchan, em colaboração com a empresa Agro Simbiose Agrícola.
O desenvolvimento desta horta biológica coincide com o ‘Tempo da Criação’, uma mobilização ecuménica que decorre até 4 de outubro, a nível global.
A reportagem dedicada a este circuito agrícola sustentável vai ser transmitida no programa ‘70×7’, no próximo domingo, pelas 07h30, na RTP2.
HM/OC
