«Seguir Jesus não significa evitar o sofrimento a qualquer custo, mas sobretudo aprender a amar mesmo quando custa», disse bispo diocesano

Faro, 30 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve exortou os fiéis à coerência entre a fé e a vida cristã, durante a celebração do Domingo de Ramos que assinalou o início da Semana Santa na Sé de Faro.
D. Manuel Quintas advertiu para a fragilidade dos compromissos humanos perante as dificuldades, lamentando a existência de uma religiosidade circunstancial que recua perante a exigência da entrega.
“Isso revela grande desconforto: revela a instabilidade do coração humano e, sobretudo, a falta de clarividência e de compromisso em relação às nossas opções. Quando tudo vai bem, seguimos Jesus; quando exige entrega, detemo-nos ou mesmo recuamos”, assinalou, numa intervenção divulgada pelo jornal diocesano “Folha do Domingo”.
Na homilia da celebração que marca a entrada de Jesus em Jerusalém, o prelado apresentou a cruz como a expressão máxima do amor, desafiando a comunidade a praticar o perdão no contexto familiar e profissional.
Jesus mostra-nos que a cruz não é fracasso. É amor levado ao extremo. E aqui surge para todos uma proposta concreta: seguir Jesus não significa evitar o sofrimento a qualquer custo, mas sobretudo aprender a amar mesmo quando custa: amar na família, quando é difícil perdoar; amar no trabalho, quando é mais fácil ser injusto; amar na vida, quando os nossos passos se tornam mais vacilantes devido ao peso da cruz e ao cansaço acumulado ao longo do caminho”.
A atual situação internacional motivou também um apelo à paz, com o bispo do Algarve a solicitar aos governantes que privilegiem a via do diálogo em todos os cenários de confronto.
“Que este apelo à paz que encontramos desde já neste Evangelho possa constituir para todos motivo de uma oração mais intensa ao Senhor ao longo desta semana para que, particularmente aqueles que presidem aos destinos dos povos, se transformem também em mensageiros e construtores da paz”, disse.
“Que o diálogo seja a primeira opção, seja a primeira grande força que pacifica e pacificadora, de todos os confrontos que hoje avassalam a humanidade, particularmente naqueles países nossos conhecidos”, acrescentou.
A celebração teve início com a bênção dos ramos junto à igreja da Misericórdia, seguindo-se a procissão até à catedral de Faro, onde decorreu a Eucaristia dominical.
A Igreja Católica iniciou, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.
OC
