Foto: Folha do Domingo

Faro, 06 mai 2019 (Ecclesia) – Os professores da disciplina de Educação Moral Religiosa Católica (EMRC), na Diocese do Algarve, envolveram cerca de 240 alunos de três escolas na iniciativa ‘Com Monchique no Coração’, no contexto do incêndio que afetou a serra algarvia em 2018.

“Os alunos de Monchique precisam de ter meninos da idade deles que não passaram por esse trauma com quem possam partilhar a experiência; Falar dos traumas que vivemos, ajuda-nos a ultrapassá-los”, disse Lúcia Costa, professora de EMRC em Monchique.

O incêndio de Monchique, que deflagrou a 3 de agosto de 2018, destruiu perto de 28 mil hectares de floresta e terrenos agrícolas, além de dezenas de habitações e atingiu também os concelhos de Silves e Portimão.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’, Lúcia Costa afirmou que os seus alunos “tinham muita necessidade de falar” para transmitirem “os sentimentos, aquilo que viveram e as emoções que sentiram”.

“Quando cheguei à escola, no início do ano letivo, todos os meus 92 meninos tinham uma história diferente para contar sobre o incêndio”, recorda, acrescentando que “ainda hoje se emocionam”.

Para além de cerca de 240 alunos de três estabelecimentos de ensino – as Escolas EB 2.3 Dr. Joaquim Magalhães e D. Afonso III de Faro uniram-se à Escola Básica Manuel do Nascimento de Monchique – ‘Com Monchique no Coração’ mobilizou também 24 professores de várias disciplinas.

A professora de EMRC Rosária Pacheco assinalou que para além de um “dia de partilha” aproveitaram para “sensibilizar para os problemas ambientais”, para que os alunos “se tornem cada vez mais sensíveis a esta temática dos incêndios”.

“O objetivo é trazer o «coração» a Monchique e dizer a esta população que estamos aqui, que não estão esquecidos e que ficámos sensíveis com tudo aquilo que passaram. Procura-se esse contacto com a população, trazer alegria e amor, que é outra forma de fazer solidariedade, não apenas com bens materiais”, desenvolveu.

‘Com Monchique no Coração’ terminou com a plantação de um medronheiro na Escola básica Manuel do Nascimento, como símbolo da importância da reflorestação da serra, e a colocação da placa de identificação da atividade; Destaque também para o ‘coração humano’ que os alunos formaram e participação no laço azul humano feito pelo final do Mês de Prevenção dos Maus-tratos na Infância e Juventude

O jornal ‘Folha do Domingo’ adianta ainda que os alunos começaram o dia no heliporto municipal, depois foram distribuídos por grupos identificados com uma espécie autóctone da flora e realizaram uma dinâmica de conhecimento pessoal e contacto com a população local e cinco entidades – Bombeiros voluntários; paróquia, Unidade de Cuidados na Comunidade; Junta de Freguesia e na Plataforma ‘Ajuda Monchique’.

CB

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