Conselho Pontifício Justiça e Paz assinala final da Semana Mundial que decorre em Estocolmo

Cidade do Vaticano, 31 ago 2012 (Ecclesia) – O Vaticano defendeu hoje a necessidade de uma “boa governação” mundial no que diz respeito ao acesso à água, questão que considera essencial para o futuro de um “mundo globalizado”.

A posição é assumida por Tebaldo Vinciguerra, membro do Conselho Pontifício Justiça e Paz, da Santa Sé, num artigo publicado no jornal ‘L’Osservatore Romano’, a respeito da Semana Mundial da Água que hoje se conclui em Estocolmo, capital da Suécia.

“Devemos fazer votos por que os técnicos e peritos – que, de vários modos, influenciam as políticas e as decisões estatais – possam trabalhar sem desânimo e fazer progredir ao máximo e melhor a questão da água num contexto global, num contexto de mudanças, num mundo que precisa de uma boa governação para a água”, escreve o responsável.

A iniciativa reúne cerca de dois mil empresários, políticos, peritos e representantes de várias organizações num encontro que o Vaticano classifica como “importante” e um “evento quase imperdível para os técnicos e peritos em água”.

Tebaldo Vinciguerra sublinha que as temáticas analisadas em Estocolmo são “relevantes e complementares: argumentos muito técnicos, como a urbanização e a mudança climática; temas bastante sociais como a educação e a consciência das comunidades ou o desperdício; argumentos institucionais como os processos decisórios e a formulação de futuros objetivos para o desenvolvimento”.

A 22ª Semana Mundial da Água, que decorre desde domingo, tem como tema ‘Água e segurança alimentar’.

O portal de notícias do Vaticano recordou a posição assumida em março, durante o 6.º Fórum Mundial da Água, na cidade francesa de Marselha, pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, em nome da Santa Sé.

Este organismo apelou à ação “urgente” da comunidade internacional para assegurar o acesso à água por parte da população mundial, sublinhando que este não é “um bem meramente mercantil”, mas “público”.

“Se é compreensível e lógico que os atores privados tendam a desenvolver atividades rentáveis, eles não devem esquecer que a água tem um valor social e deve ser acessível para todos”, referia o texto intitulado ‘Água, um elemento essencial para a vida’.

Segundo este documento, os números da sede estão “subestimados”, por ser necessária uma leitura do direito à água baseada no “acesso regular e constante a água potável que seja acessível economicamente, legalmente e de facto”.

Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010, Bento XVI alertava para a “questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas”.

Em 2007, numa mensagem escrita por ocasião do Dia Mundial da Água, o Papa afirmava que “a água é um direito inalienável”, pedindo que todos possam ter acesso a ele, “em particular quem vive em condições de pobreza”.

OC

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