África: Viagem do Papa traz ao nosso continente uma «visibilidade global», diz padre Alfredo Mavinga

Missionário espiritano angolano e padre Tony Neves, da mesma congregação, analisam momentos da deslocação de Leão XIV à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial

Lisboa, 13 abr 2026 (Ecclesia) – O padre Alfredo Mavinga, missionário espiritano natural de Angola, defende que a viagem que o Papa Leão XIV iniciou hoje a África vai colocar o continente em destaque e representa a atenção dada pelo pontífice a este território.

“Esta viagem vai trazer ou traz o nosso continente para uma visibilidade global e vai, de facto, mostrar o outro lado que o nosso continente apresenta, que é da estabilidade também, para além das guerras e de outras realidades tristes que se fala de África, afinal temos momentos e motivos de satisfação”, afirmou o sacerdote.

Em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2, o padre Alfredo Mavinga partilha que a deslocação do Papa enche os africanos “de muito orgulho” e “satisfação”.

A mais longa viagem apostólica de Leão XIV tem a duração de 11 dias, durante os quais vai passar pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, encerrando a 23 de abril.

O padre Tony Neves, conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo, observa que os países eleitos apresentam “realidades todas muito diferentes”, onde se falam diferentes idiomas.

“Eu não sei exatamente os critérios que presidiram à escolha, mas este é um dado objetivo que não deixa de ser relevante numa África tão plural até a esse nível, a nível linguístico”, referiu.

A Argélia é o primeiro ponto de passagem, onde tem raízes Santo Agostinho, fundador da ordem a que pertence o Papa Leão XIV.

“Eu não tenho dúvidas que esse deve ter sido o argumento que pesou mais. Ele [Papa] queria ir à fonte, queria ir beber na fonte agostiniana, e a gente sabe que Agostinho foi um homem africano e foi, sobretudo, como bispo de Hipona que se notabilizou”, lembrou o padre Tony Neves.

O sacerdote destaca que nesta geografia a dimensão do diálogo inter-religioso vai sobressair, recordando que ali se realizaram uma “série de concílios” e que o norte de África era “profundamente cristão”, no entanto, após as invasões árabes, a situação alterou-se.

“Apesar de tudo, a Argélia ainda mantém cinco dioceses, todas elas com muito pouca gente”, salientou o sacerdote.

Na quarta-feira, o Papa chega aos Camarões, onde vai visitar o orfanato “Ngul Zamba”.

O conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo realça a vertente do encontro com os mais frágeis que Leão XIV tem nesta viagem, à semelhança do antecessor Francisco.

“A grande missão da Igreja é estar do lado dos pequeninos e dos pobres, então eu acho que esse é um gesto muito bonito. E nos Camarões tem particular relevância porque as pessoas pobres, as pessoas abandonadas, as pessoas a quem as autoridades não dão atenção, são infelizmente uma maioria absoluta”, lamentou.

No dia 18 de abril, sábado, o Papa aterra em Angola, ficando no país até 21 de abril, terça-feira.

“A nossa expectativa é enorme, esperamos que o Papa nos leve esta esperança, o nosso país precisa de ter uma esperança renovada, dado o contexto que nós vivemos, contexto social, contexto político”, expressou o padre Alfredo Mavinga, que está há seis anos em Portugal.

Referindo-se ao lema da visita ao país, o missionário espiritano evidencia que Angola necessita não só de uma reconciliação meramente retórica, mas também efetiva e de paz.

“Paz não é só calar as armas, mas acima de tudo a justiça social, o direito que se deve de facto respeitar. Por isso, o nosso país espera de facto este momento com grande, com grande expectativa, com grande alegria e com entusiasmo também”, testemunhou.

O último destino da visita do Papa Leão pelo continente africano é a Guiné Equatorial, de 21 a 23 de abril, que o padre Tony Neves descreve como um país “muito desenvolvido”.

“Naturalmente o Papa irá falar disso [promoção da dignidade humana] e irá fazer um apelo a que esses aspetos menos conseguidos da governação possam ser alcançados. Claro que a democracia aí nesses países, enfim, funciona um bocadinho de forma diferente do que funciona aqui na Europa”, ressalta.

O conselheiro geral da congregação do Espírito Santo classifica a viagem do Papa a África como uma “escolha muito bem pensada e muito cirúrgica”.

“Temos a Argélia que é praticamente 100% muçulmana, temos uma Guiné Equatorial que é quase 100% católica e depois temos os Camarões que são para aí 70%, Angola que é para aí 50% ou 60%”, relata.

Para o padre Tony Neves, a opção por estes países permite “muitas aproximações” e “muito diálogo”.

“As intervenções do Papa, que naturalmente vão ser seguidas por toda a gente em todo o lado, vão ajudar a dar algumas sugestões às governações africanas e às igrejas em África para prosseguirem pelo caminho que é o caminho da igreja: justiça, paz e ecologia integral”, declarou.

LS/LJ/OC

África: Leão XIV chega à Argélia para iniciar maior viagem do pontificado

Partilhar:
Scroll to Top