Irmã Eugénia Rodrigues, da congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, deseja que o Natal contrarie a “instabilidade” trazida pela pandemia

Lisboa, 12 dez 2020 (Ecclesia) – A irmã Eugénia Rodrigues, da congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, em missão no Brasil, conta como é “quentinha e alegre” a celebração do Natal e deseja que este tempo contrarie a “instabilidade” em tempo de pandemia.

“O Natal que, como todos pensam, é com neve e gelo, aqui em Goiás é um Natal bem quentinho, na Missa e nas celebrações, estamos bem leves, de manga curta, é tempo de muito calor”, conta à Agência ECCLESIA.

A religiosa recorda que o primeiro Natal no Brasil, “daquele lado do oceano”, foi “surpreendente” porque aquela realidade, “sem aconchego das lareiras” lhe causava alguma estranheza. 

No Estado de Goiás, no centro do Brasil, onde vive, a irmã Eugénia fala de muitas tradições diferentes, fruto da colonização do próprio país. 

“Como o Brasil foi colonizado por muitos povos europeus é rico e diverso, mesmo neste estado as tradições variam de uma cidade para outra, por causa da influência da colonização e com o que já existia”, refere. 

A entrevistada fala de “uma mistura de culturas rica e diversificada” onde tem lugar as músicas muito alegres e ritmadas bem como as “folias dos Reis que se cantam depois do Natal”.

A jovem religiosa, no Brasil há oito anos, refere que este ano, apesar da pandemia, não haverá restrições na paróquia onde a comunidade ajuda e celebra, uma vez que não havendo casos, e com os “cuidados necessários”, o “pároco considera a Igreja um lugar seguro para ir agradecer em tempo de Natal”.

“A pandemia veio trazer a instabilidade e medo mas o Natal é para contrariar isso, traz esta alegria e aprendamos a confiar no Amor que vem ao nosso encontro, há que tomar os devidos cuidados mas sem perder o espírito de Natal nem a esperança”, assume.

Na celebração eucarística, a irmã Eugénia destaca as músicas “bem animadas” com recurso à “sanfona (acordeão), ao violão e à bateria”

“É muito bonito porque, no clima festivo, a igreja inicia às escuras e quando vem o momento do glória fica tudo iluminado, tocam os sinos, canta-se e passa-se a imagem do Menino Jesus no meio do povo”, lembra. 

Com o calor do Brasil, também a tradição à mesa é bem diferente e a ceia de Natal consta de “frango ou pernil assado, feijão que não podem faltar, o arroz nesta época mais caprichado, depois o “pudim ou mousse e a fruta”.

Também na escola Ana Maria Rivier, que acolhe crianças a partir dos noves meses, até completarem o “ensino fundamental, a religiosa está dedicada a crianças com três anos e o Natal é “preparado a cada dia” e celebrado com muita alegria e música.

Em comunidade a irmã Eugénia Rodrigues vive o Natal no convento “como se fosse em Portugal”, e no dia 26 ou 27 de dezembro as religiosas de várias comunidades juntam-se para confraternizar, “fazendo a dinâmica do amigo secreto e cantando”.

SN

Partilhar:
Share