Uma singular manifestação de fé que reúne 2700 romeiros em 53 ranchos

Foto Henrique Matos

 

Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores, 04 out 2022 (Ecclesia) – O Movimento dos Romeiros de São Miguel está determinado na candidatura nacional e internacional das romarias a património mundial da humanidade, e conta com o apoio de responsáveis políticos expresso na sessão de abertura das comemorações dos 500 anos.

“Ao longo destes cinco séculos enfrentaram muitas adversidades políticas, económicas e bélicas e souberam sempre dizer presente e assumir com responsabilidade o legado recebido dos seus antepassados e o desígnio de passar às novas gerações esse compromisso com Deus”, disse o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que acolheu a cerimónia no salão nobre do município.

Pedro Nascimento Cabral afirmou que “as romarias marcam a identidade de um povo”, e manifestou o apoio à candidatura das Romarias Quaresmais de São Miguel a Património Cultural Imaterial da UNESCO, na sessão realizada dia 1 de outubro.

Também o presidente do Governo Regional dos Açores destacou a “resiliência de uma identidade” que foi forjada com as romarias e revelou que “tudo” fará para apoiar o objetivo de tornar as romarias património imaterial, que “seria um ‘ato de justiça e reconhecimento’”.

“Bem hajam aos romeiros de hoje, aos de todos os tempos, eles e elas, mais novos e mais velhos. Pelo passado, teremos futuro”, acrescentou José Manuel Bolieiro.

João Carlos Leite, presidente do grupo coordenador deste movimento, explicou que o processo de reconhecimento nacional está adiantado e, depois, segue-se a candidatura internacional à Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, divulga o portal da Diocese de Angra ‘Igreja Açores’.

Este responsável salientou que estas Romarias de São Miguel se assumem como uma singular manifestação de fé, mas socialmente também são relevantes e destacando essa mesma intervenção social de alguns ranchos.

Na sessão de abertura das comemorações dos 500 anos das Romarias Quaresmais de São Miguel, o presidente da assembleia geral do Movimento, Humberto Bettencourt, destacou que a data representa um marco histórico para os Açores e para a Igreja Católica, adiantando que existem 2700 irmãos romeiros, repartidos por 53 ranchos.

A historiadora Susana Goulart Costa apresentou a conferência ‘Romeiros de São Miguel: a resistência de uma fé’, lembrando a capacidade de resistência e uma história que demonstra inteligência e uma sobrevivência notória, informa o portal ‘Igreja Açores’.

Para além desta sessão solene foi inaugurada uma exposição sobre as romarias, no centro histórico de Ponta Delgada, e que vai percorrer os concelhos da ilha de São Miguel, e celebraram a Eucaristia na igreja Matriz de São Sebastião.

As Romarias Quaresmais de São Miguel tiveram origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas registados no século XVI nesta ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande, em 1522.

Os ranchos devem cumprir um percurso, sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas de S. Miguel, a pé, durante uma semana, usando um xaile, um lenço, um saco para alimentos, um bordão e um terço, entoando cânticos e rezando; também existem romeiros na ilha Terceira e na Graciosa, no Canadá e nos Estados Unidos da América, e romarias de mulheres em São Miguel e na Terceira.

CB

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