Angra do Heroísmo, Açores, 28 jan 2021 (Ecclesia) – O clero, as comissões, mordomos e irmandades de 20 impérios do Concelho da Praia da Vitória (Ilha Terceira), na Diocese de Angra, decidiram “não celebrar publicamente nenhuma função do Espírito Santo” por causa da pandemia Covid-19.

“Tendo em conta a possibilidade não descartável de um agravamento da situação pandémica na Ilha Terceira, era urgente essa reunião, para evitar que se gorassem expetativas e se despendesse dinheiro na preparação de festas que não aconteceriam”, informa a Ouvidoria da Praia.

O portal diocesano ‘Igreja Açores’ adianta que a decisão de “não se celebrar publicamente nenhuma função do Espírito Santo” resulta de uma reunião realizada esta quarta-feira, entre o clero da Ouvidoria da Praia os mordomos, comissões, irmandades de 20 impérios do Concelho da Praia da Vitória e o diretor Regional da Saúde, no Centro Pastoral das Fontinhas.

“Podem-se dar esmolas de carne, pão ou vinho, desde que entregues ao domicílio e evitando aglomerados”, acrescenta a Ouvidoria da Praia, na nota onde assinala que as pessoas “podem ter a coroa em casa e rezar ao Espírito Santo em família, evitando aglomerados de amigos, vizinhos ou outras famílias”.

O clero da Ouvidoria da Praia, na Ilha Terceira, insiste nas medidas sanitárias para conter a propagação da pandemia de Covid-19 e assinala que “se algum imperador quiser coroar, não pode fazer cortejo, deve evitar convidar pessoas que ponham em causa as restrições ao número de presentes na igreja, nem pode fazer função ou almoço que aglomere pessoas”.

Na ilha Terceira, o culto do Espírito Santo está documentado desde 1492, quando faziam o Império e se distribuía o bodo, no dia de Pentecostes, à porta de uma capela do hospital do Espírito Santo.

O sítio ‘Igreja Açores’ recorda que é o segundo ano consecutivo que não celebram as festas do Espirito Santo nesta ouvidoria e na ilha Terceira, as festas em honra da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade têm uma força “muito original” e são vividas sobretudo na zona do Ramo Grande (Ouvidoria da Praia), onde a economia continua a ser predominantemente agrária, e são “bastante conhecidos” os impérios da Vila Nova e das Lajes pelo número de pessoas envolvidas.

O culto ao Divino Espírito Santo é uma das marcas da religiosidade popular açoriana. Desde o primeiro domingo de Páscoa até à Trindade, as ilhas vivem intensamente o Espírito Santo.

CB/OC

Partilhar:
Share