D. António Marcelino fala numa grande escola que gerou cristãos militantes ao longo dos seus 75 anos de vida

O Porto acolhe, ao longo deste fim-de-semana, as comemorações que assinalam 75.º Aniversário da Acção Católica (AC). D. António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro, fala numa “grande escola que, ao longo dos anos, gerou cristãos militantes, acordou comunidades adormecidas e redimiu omissões pastorais graves”.

“A AC destruiu o fosso histórico e saltou o muro que separou, por longo tempo, a Igreja e o mundo. Ela é apta a estimular e tem algo de mestria, com que se possa aprender sempre”, aponta.

Segundo este responsável, “a AC, com as mudanças operadas na sociedade, o desmoronar dos meios sociais tradicionais e a explosão de novos movimentos laicais, tem de se reencontrar e repensar à luz de realidades sociais e eclesiais novas”.

“Não deixando de actuar nos campos em aberto e de fronteira, como acontece com os organismos operários, na sociedade actual, marcada por forças corporativas e ideais economicistas, a AC deverá caminhar na implementação e revigoramento de associações profissionais, em que o espírito cristão, a premência do bem comum e o serviço aos outros, seja a regra que o Evangelho ilumina e estimula”, afirma.

O Bispo emérito de Aveiro lembra que, “com alguns exageros, que pareciam querer desvirtuar a especificidade do movimento, traduziam-se, em muitos casos, impaciências e revoltas, frente a problemas sociais e políticos que se agudizavam”.

“Como assistente da AC desde a minha juventude sacerdotal, posso testemunhar, a partir desta experiência, o valor e a importância determinante do laicado, a persistência corajosa dos organismos operários, a capacidade de mobilização dos diversos organismos, a disponibilidade de militantes adultos para responder ao apelo de novas iniciativas pastorais nas dioceses”, escreve num artigo publicado pelo semanário Agência ECCLESIA.

D. António Marcelino considera que “continuar a lapidar o diamante nas comemorações jubilares, exige a convicção de que continua a ser diamante”.

A Acção Católica, escreve, “não sofre crise de morte. Mas não pode quedar-se a contemplar, nostálgica, os méritos do passado e a olhar, de modo crítico e desconfiado, os novos movimentos laicais, que o Espírito vai suscitando na Igreja”.

As celebrações de 7 e 8 de Novembro terão lugar no Seminário do Vilar e no Colégio dos Órfãos e são promovidas pelo Forum Nacional dos Movimentos da Acção Católica, constituído pelos seguintes movimentos: ACI (Acção Católica Independente); ACR (Acção Católica Rural); JARC (Juventude Agrária e Rural Católica); JOC (Juventude Operária Católica); LOC/MTC (Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristãos); MAAC (Movimento deApostolado de Adolescentes e Crianças) e MCE (Movimento Católico de Estudantes).

Em Novembro de 1933, na Conferência Plenária do Episcopado português foram aprovadas as bases orgânicas da Acção Católica (AC), que assim nascia no nosso país. Era então definida como “o conjunto das organizações do laicado católico português que propõe a difusão e a defesa dos princípios católicos na vida individual, familiar e social, sob a directa e inteira dependência da hierarquia e por mandato desta recebido”.

A Acção Católica pode ser definida, de forma genérica, como a forma organizada de apostolado dos leigos que, no seguimento dos movimentos católicos do séc. XIX, foi incrementada por Pio XI, alcançando grande implantação sobretudo nos países católicos latinos.

Em Portugal, a Acção Católica incluía duas dezenas de “organismos” especializados por sexos, idades e meios sociais, coordenados por quatro “organizações” e por uma “Junta Central”, chegando a contar 100 mil associados na década de 50, segundo dados publicados e cartografados pelo então Pe. Manuel Falcão, hoje Bispo emérito de Beja.

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