Padre Valdir de Castro foi um dos representantes de institutos religiosos na cimeira mundial convocada pelo Papa

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano

Cidade do Vaticano, 19 out 2018 (Ecclesia) – O padre Valdir José De Castro, superior-geral dos Paulistas, defendeu no Vaticano que após a cimeira sobre a proteção de menores, que se concluiu este domingo, é tempo de promover a colaboração entre Igreja e sociedade para superar um problema “grave”.

“Tem de haver colaboração, dentro da Igreja, colaboração entre dioceses, religiosos, também entre o direito canónico e a justiça civil, porque cada país tem as suas leis próprias sobre esses casos”, precisou o responsável, um dos cerca de 20 superiores e superioras de institutos religiosos que marcaram presença no encontro sobre abusos sexuais na Igreja, entre quinta-feira e domingo, no Vaticano.

O sacerdote brasileiro sublinha que há muita “preocupação” do Papa em enfrentar a questão dos abusos de menores, “um problema sério”.

“Não deveria acontecer nem um caso dentro da Igreja e o Papa convoca-nos para que possamos pensar juntos como enfrentar e resolver essa situação”, precisa.

A Igreja não tem nada a esconder, o Papa Francisco está a insistir muito nessa abertura, e sobretudo na colaboração. Estamos juntos como Igreja, foi falado muito nesse encontro que se acontecem coisas que ferem a Igreja, ferem todo o corpo que é a Igreja. Devemos todos unir-nos para curar essa ferida”.

O superior-geral dos Paulistas destacou em particular, os testemunhas das vítimas de abusos que se ouviram nos quatro dias de trabalho e oração, ajudando a ver “o problema de frente”.

“A mim pelo menos comoveu-me muito, foram momentos muito importantes onde não nos limitámos a gerir a discussão em teoria. Aquelas pessoas que vieram para a sala ajudaram-nos a entrar dentro do problema”, relatou.

O padre Valdir de Castro espera que o anunciado “vade-mécum” com orientações da Santa Sé “possa ajudar as dioceses e as congregações religiosas” na definição de normas e protocolos mais claros.

“Tomamos consciência de que o problema é grave, é sério e que não podemos esperar: temos de começar já a resolvê-lo”, conclui.

A inédita cimeira convocada pelo Papa contou com testemunhos de vítimas, relatórios e reflexões de bispos e religiosas dos cinco continentes, bem como de uma vaticanista mexicana, sobre a comunicação nestes casos.

OC

A reportagem em Roma no Encontro sobre Proteção de Menores na Igreja é realizada em parceria para a Agência Ecclesia, Família Cristã, Flor de Lis, Rádio Renascença, SIC e Voz da Verdade.

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