Prefeito da Secretaria para a Economia, da Santa Sé, vai recorrer da decisão judicial, reafirmando inocência

Cidade do Vaticano, 26 fev 2019 (Ecclesia) – O Papa proibiu hoje o cardeal George Pell, prefeito da Secretaria para a Economia da Santa Sé, do exercício público do ministério, após ter sido condenado em primeira instância por um tribunal australiano da acusação de abusos sexuais contra menores.

“Aguardando peloo apuramento definitivo dos factos, o cardeal Pell é proibido, de forma cautelar, do exercício público do ministério e, como determinam as normas, do contacto em qualquer modo e forma com menores de idade”, refere uma nota lida aos jornalistas pelo porta-voz do Vaticano, Alessandro Gissoti.

A sentença foi emitida a 11 de dezembro de 2018, mas o Tribunal de Melbourne emitira uma ordem que proibia a publicação de informações sobre o processo; a decisão unânime dos membros do júri foi divulgada oficialmente hoje.

Em 2017, o Papa concedeu ao cardeal australiano um período de licença das suas funções, como prefeito da Secretaria para a Economia, para que pudesse defender-se das acusações.

“Para garantir o decurso da Justiça, o Papa confirmou as medidas cautelares já dispostas em relação ao cardeal Pell pelo ordinário [bispo] do lugar, aquando do seu regresso à Austrália”, sublinhou o diretor da sala de imprensa da Santa Sé.

O Vaticano associou-se à posição assumida pelo presidente da Conferência Episcopal Australiana, perante “uma notícia dolorosa” que “chocou muitas pessoas”, acrescentando que, à espera da “sentença definitiva”, reza por todas as vítimas dos abusos

O arcebispo de Brisbane e presidente da Conferência Episcopal Australiana, D. Mark Coleridge, reagiu em comunicado ao anúncio da decisão, que “chocou muitos, na Austrália e no mundo, incluindo os bispos católicos australianos”.

Os prelados afirmam que todos devem ser iguais perante a lei, expressam “respeito” pelo sistema jurídico australiano e mostram a sua convicção de que “o mesmo sistema jurídico que pronunciou o veredicto, levará em consideração o recurso feito pelos advogados de defesa do cardeal.

“A nossa esperança, em todos os momentos, é de que através deste processo, seja feita justiça. Ao mesmo tempo, os bispos rezam por todos aqueles que foram abusados e pelos seus entes queridos, comprometendo-se a fazer todos os possíveis para garantir que a Igreja seja um lugar seguro para todos, especialmente para os jovens e para os mais vulneráveis”, conclui o texto.

O cardeal Pell regressa aos tribunais esta quarta-feira, para uma nova fase do processo, com a intenção de interpor recurso e reafirmando a sua inocência.

O portal de notícias do Vaticano informa que está em causa um alegado caso de abuso sexual contra dois menores, de 12 e 13 anos, nos anos 90, em Melbourne.

Em 2014, o cardeal foi chamado pela primeira vez a testemunhar diante da Royal Australian Commission que investiga os casos abusos sexuais, respondendo à acusação de proteger outros sacerdotes nos anos 70 do século XX, algo que sempre negou.

No dia 26 de julho de 2017, o cardeal Pell deixou a Secretaria da Economia no Vaticano para se dedicar exclusivamente à sua defesa, considerando os abusos cometidos contra menores como “imorais e intoleráveis”.

D. George Pell tinha sido alvo de outro processo, cuja acusação acabou por retirada.

O Vaticano recebeu, de 21 a 24 de fevereiro, uma inédita cimeira de presidentes de episcopados e responsáveis de institutos religiosos, convocada pelo Papa, para debater medidas de proteção de menores e combate aos abusos sexuais na Igreja Católica.

OC

Notícia atualizada às 11h15

Partilhar:
Share