Documento distribuído aos 190 participantes propõe que padres e bispos culpados de abuso sexual de menores deixem o ministério público

Foto: Lusa

Cidade do Vaticano, 21 fev 2019 (Ecclesia) – O Papa distribui hoje um documento com 21 pontos de reflexão, aos 190 participantes na cimeira sobre proteção de menores e os abusos sexuais na Igreja Católica, visando criar protocolos comuns de prevenção e resposta às vítimas.

O documento defende que “padres e bispos culpados de abuso sexual de menores deixem o ministério público”.

Quem for informado de um caso deve comunicar com as autoridades civis e as autoridades eclesiásticas superiores, “em conformidade com as normas civis e canónicas”.

O texto, resultado de várias propostas de Comissões e Conferências Episcopais, começa por defender a elaboração de um “um manual prático”, no qual sejam especificados os passos a ser dados pela autoridade, bem como a criação de “estruturas de escuta”, com protocolos específicos para lidar com acusações contra os bispos.

Todas as comunidades, acrescenta-se, devem “estabelecer os critérios para o envolvimento direto do bispo ou do superior religioso” e implementar procedimentos comuns “para o exame das acusações, a proteção das vítimas e o direito de defesa do acusado”.

Os participantes são convidados a “acompanhar, proteger e tratar as vítimas, oferecendo-lhes todo o apoio necessário para uma recuperação completa”.

A Igreja Católica é chamada a “preparar caminhos de cuidado pastoral para comunidades feridas por abusos” e “itinerários penitenciais e de recuperação para os perpetradores”.

Outra proposta é “fortalecer a cooperação com todas as pessoas de boa vontade e com os meios de comunicação”.

Uma eventual publicação de listas de acusados não deve acontecer “antes da investigação preliminar e da condenação definitiva”.

A seleção de candidatos ao sacerdócio ou à vida religiosa também é referida, com a exigência de uma “avaliação psicológica por especialistas qualificados e credenciados” e a definição de normas para a transferência de um seminarista ou aspirante religioso de um seminário para outro.

As instituições eclesiais devem formular “códigos de conduta obrigatórios”, para delinear os limites apropriados nas relações pessoais.

“É necessário estabelecer, onde ainda não foi feito, um organismo de fácil acesso para as vítimas que desejam denunciar qualquer crime. Um corpo que goze de autonomia, mesmo no que diz respeito à autoridade local e eclesiástica, composto por peritos (clérigos e leigos) que sejam capazes de expressar a atenção da Igreja para aqueles que, neste campo, se sintam ofendidos por comportamentos inadequados por parte de clérigos”

Fonte: http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2019/02/21/0149/00305.html

Na conferência de imprensa sobre o primeiro dia dos trabalhos, o padre Hans Zollner, membro da Comissão Organizadora do evento, disse aos jornalistas que se podem esperar resultados concretos da cimeira.

“Muitas pessoas esperam resultados concretos. O Santo Padre deu-nos uma lista de pontos em que teremos de trabalhar. Levará tempo, mas se tudo correr bem haverá resultados concretos em breve”, disse o jesuíta alemão.

O responsável destacou que os pontos propostos pelo Papa se dirigem “a todos os que estão em posições de liderança na Igreja”.

OC

A reportagem em Roma no Encontro sobre Proteção de Menores na Igreja é realizada em parceria para a Agência Ecclesia, Família Cristã, Flor de Lis, Rádio Renascença, SIC e Voz da Verdade.

 

21 pontos de reflexão propostos pelo Papa aos participantes no encontro sobre Proteção de Menores

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