Estreia já esta semana, num modestíssimo circuito comercial, a primeira longa metragem do realizador Sandro Aguilar, “A Zona”. Não é a mais recente do realizador, visto “Águas Mil” (2009) ter acabado de correr no Indielisboa. Com pouquíssimo diálogo, “A Zona” conta-nos, em sequências intercaladas com outros tempos e outras personagens, a história de solidão de Rui, onde vida e morte, em pano de fundo, se cruzam. Autor e realizador de uma meia dúzia de curtas metragens, Aguilar pode orgulhar-se de ter arrecadado, desde o início da sua carreira de já uma década, alguns prémios de prestígio como os de Melhor Curta Metragem pelo Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde e nomeação para a mesma categoria pelos Prémios do Cinema Europeu atribuído a Corpo e Meio (2003) ou a Menção Especial pelo Festival de Veneza à também curta “Sem Movimento” (2000). “A Zona” foi em 2008, como “Águas Mil” em 2009, um dos raros filmes a integrar uma edição do já referido e consagrado Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa. Em aparente contradição com este estatuto, apenas vê a luz do circuito comercial um ano depois de se ter apresentado ao (algum?) público cinéfilo. Como justificar então que um filme elogiado de um jovem realizador já com algum prestígio não chegue mais rápida e amplamente à generalidade do público? Estará o cinema de autor, ou as linguagens cinematográficas alternativas confinadas aos (óptimos, mas insuficientes) festivais?… Na sua linguagem própria, com quase nenhum diálogo mas uma força visual assinalável, na sua história feita de pedaços de histórias em narrativas não totalmente explícitas nem herméticas, “A Zona”, como muitos outros filmes de autor, outros filmes experimentais, mereceriam viajar mais além dentro de portas, pela via cinematográfica e pedagógica, fomentando a abertura de novos públicos a novas leituras e diferentes formas de olhar a realidade.

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