Homilia de D. Teodoro de Faria, na celebração do Dia Mundial da Paz Desde 1968 que o Papa Paulo VI dedicou o primeiro dia do ano à educação da Paz. Celebramos hoje o 37º Dia Mundial da Paz sob o título: «Um compromisso sempre actual: educar para a Paz. O ano que está a findar mostra como o tema da paz continua actual. A guerra do Iraque com o seu cortejo de sangue e morte, o terrorismo que espreita e se dilata em todo o universo, a tragédia do Médio Oriente sem solução à vista, as matanças na África Central que até neste Natal assassinaram o Núncio Apostólico no Burundi, como tantas outras forças de violência e morte, demonstram como é preciso educar para a Paz. Preocupação do Papa Impressiona a dedicação do actual Papa a favor da Paz, colocando as poucas forças que ainda lhe restam a formar as consciências no caminho da reconciliação e do diálogo da Paz. É como um sol que continua a alumiar intensamente mesmo no entardecer da vida. A mensagem deste ano começa com um apelo aos Chefes das Nações, aos juristas, aos educadores da juventude, aos homens e mulheres tentados a recorrer ao terrorismo, convidando todos a considerar que a paz é possível e, se possível, a paz é um dever. Neste apelo do Papa ressoa um chamamento aos diversos níveis de responsabilidade dos que querem construir a paz: o nível político, o científico e cultural, o educativo e o existencial que diz respeito à consciência das pessoas, principalmente se tentadas a escolher a violência terrorística para resolver problemas e conflitos. Dimensão religiosa «Nos 25 anos de Pontificado que o Senhor me concedeu, afirma o Pontífice, nunca deixei de levantar a minha voz, perante a Igreja e o mundo, para convidar os crentes bem como todas as pessoas de boa vontade, a abraçarem a causa da paz, contribuindo para a realização deste bem primário, deste modo assegurando ao mundo uma era melhor da serena convivência e respeito recíproco». Deste esforço nasceu uma síntese doutrinal sobre a Paz que o Papa chama um «quase silabário», fácil de compreender para quem tem o ânimo bem disposto e, ao mesmo tempo, muito exigente para as pessoas sensíveis à sorte da humanidade. Educação e legalidade A parte central da Mensagem deste ano é dedicada ao tema da educação e legalidade, devido à necessidade «de guiar os indivíduos e os povos a respeitar a ordem internacional. «A paz e o direito internacional estão intimamente ligados entre si: o direito favorece a paz». «Dentro dos princípios universais que são anteriores e superiores ao direito interno dos Estados», ocupa um lugar central o que afirma: os acordos livremente subscritos devem-se honrar – pacta sunt servanda. Fortalecer as Nações Unidas Um dos frutos mais importantes do direito internacional, depois da tragédia da Segunda Guerra Mundial, foi a instituição da Organização das Nações Unidas, encarregada de vigiar pela Paz e pela segurança global, tendo como fulcro a proibição de recorrer à força, exceptuando o direito natural à legítima defesa e o sistema de segurança colectiva, atribuído ao Conselho de Segurança. Ao conhecer o contributo das Nações Unidas pela Paz, o Papa convida a operar uma reforma que ponha a Organização a funcionar eficazmente para conseguir os fins dos Estatutos. A Mensagem alude também ao terrorismo, pedindo que se removam as causas que estão na origem de situações de injustiça. Por fim, tendo em conta a missão da Igreja, o Papa sublinha a necessidade do Direito Internacional não prescindir duma ordem ética e jurídica, segundo a máxima antiga: «preserva a ordem e a ordem te preservará» (Serva ordinem et ordo servabit te). No sinal da Mãe «A Igreja no começo do ano civil, apresenta-nos o nome e o sinal da Mãe, não de uma mãe qualquer, mas da Mãe de Deus. Maria é a imagem da criação nova que Deus veio inaugurar em Cristo, ela é a imagem daquilo que Deus pensa da mulher. É em virtude da maternidade divina que nós somos filhos de Deus. O primeiro dia do ano é também dedicado à Paz. A mãe, a verdadeira mãe, não tem maior desejo do que ver a paz da sua casa, dos seus filhos, a paz no universo. Esse é também a grande preocupação de Maria, a Mãe do Redentor. Vivemos num mundo que se despe cada vez mais de valores, mas dentro desta civilização que empobrece há um sinal que ainda não sucumbiu, se aprecia e ama, embora esteja ameaçado, é o sinal da mãe. Numa sociedade que parece perder tudo, há ainda uma tábua de salvação que rege e baloiça num mar em borrasca. Deus deu à humanidade uma Mãe, imagem da cidade futura sem sofrimento nem mancha, imagem de mulher de sangue incorrupto, mãe da Igreja e de uma humanidade que, pela fé, deve continuar a gerar Cristo. A liturgia, a grande educadora do povo cristão, no começo de um novo calendário, coloca na primeira página este sinal da Mãe de Deus. Na maternidade divina encontra-se o fundamento da relação de Maria com Cristo e da sua missão salvadora. Cristo, nascido em Belém da Virgem Maria, associou Sua Mãe à obra da reconciliação e libertação da humanidade. Admirável o plano de Deus, como admirável é também a pedagogia da Igreja em começar um novo ano fitando Cristo com os olhos de Maria». D. Teodoro de Faria Bispo do Funchal

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