Foi na adolescência que Paulo Ramos descobriu uma linguagem que lhe soava familiar, íntima até, e abria locais de pertença que dissipavam a “neblina interior” que o acompanhou no crescimento – as línguas clássicas convidavam este professor, tradutor e investigador a uma dança de palavras que o levaram também a descobrir a Patrística, as reflexões dos padres da Igreja e, concretamente,Santo Agostinho.
Autor de orações partilhadas na comunidade da Capela doHospital de Santa Marta, em Lisboa, e na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, dos Redentoristas, no Porto, olha para as escrituras como uma oferta a cada Domingo, e sublinha a capacidades desses textos lerem cada pessoa. Aleitura é para Paulo Ramos um momento espiritual e um bom livro é aquele que quando se fecha deixa ecoar as perguntas.
O alcance do seu batismo foi sendo descoberto – tal comoSanto Agostinho diz que Deus está a criar o mundo agora, assim também o batismo vai sendo consagrado nos dons purificadores da água e do Espírito Santo.Afirmar que todos são chamados a esse dom, profundamente cristão e gratuito, é o que procura nos textos que escreve, nas leituras que persegue e na dança em que participa, a cada oração.
