Médica cardiologista, trabalha nos cuidados intensivos cardíacos e, no pico da pandemia, foi voluntariamente para uma unidade Covid. O «pulsar» das comunidades crentes merece também o seu «diagnóstico», adiantando «prescrições» na área da empatia, lideranças, comunicação e diversidade

Agência Ecclesia – Como foi o último ano, tanto no tratamento de doentes nos cuidados intensivos cardíacos, como nos cuidados intensivos Covid?

Sílvia Monteiro – Este último ano foi uma experiência incrível, enquanto médica. Quer na minha experiência, e posso falar na de milhares de profissionais de saúde do nosso país, esta pandemia foi de facto o reconhecer da nossa missão, enquanto profissionais de saúde. Penso que logo nos primeiros dias de pandemia, quando chegavam as notícias da China, assumimos que esta era a principal missão, a missão das nossas vidas, e entregámo-nos de corpo e alma no combate, numa entrega ao bem comum.

 

AE – Muitas vezes diz-se que foi um tempo em que se experimentou a fragilidade. Da parte do corpo clínico, experimentou-se a capacidade de cuidar?

SM – Sim, isso é muito verdade. Todos nós somos humanos, temos famílias, sentimos o medo, a incerteza do que seria aquele vírus que desconhecíamos totalmente. Mas esse medo nunca nos paralisou, nunca nos impediu de dar o nosso melhor.

Fazendo uma reflexão do que têm sido estes meses, acho que conseguimos ultrapassar isso pelo sentido de missão, por um lado, e pela força que é o amor e o bem comum. Foi isso que nos fez ultrapassar o medo, a incerteza, o cansaço e, de facto, lançarmos mãos à obra, durante este tempo.

 

AE – Independentemente da condição crente…

SM – Esse é um aspeto essencial: profissionais de saúde, crentes e não crentes, todos se dedicaram num ato de grande solidariedade. Enquanto profissionais, houve uma transcendência do que é o dever, do que somos obrigados. Unimos esforços, fomos como voluntários trabalhar em unidades Covid, completamente fora da nossa zona de conforto…

 

AE – Como foi o seu caso.

SM – Sim, como foi o meu caso, que trabalho em unidade de cuidados intensivos cardíacos e fui trabalhar para uma unidade de cuidados intensivos dedicada a doentes Covid, onde tive de aprender e também partilhar experiências com outros colegas anestesistas e intensivistas que estavam lá. Num grande espírito de humildade, partilhámos uns com os outros, crescemos, fizemos este caminho, num ato sempre de solidariedade para o bem comum e para tentarmos ultrapassar esta crise, que é de todos e que só todos unidos conseguimos ultrapassar.

 

Unidades Covid são “solo sagrado”

AE – E eram esses sentimentos que a preenchiam, quando estava horas seguidas, quatro, cinco, no tratamento de doentes, isolada?

SM – Quando se é uma médica católica, tudo se torna mais fácil. Acho que tive ali a minha vida muito facilitada, nesse aspeto. Todo este sofrimento tinha a dimensão e a certeza da presença de Cristo, nesta nossa realidade.

Quando me fala na unidade Covid, era muito interessante que, deste o primeiro dia em que eu me vesti com o EPI (Equipamento de Proteção Individual, ndr) completo e entrei naquela unidade, ao transpor a porta, sentia uma coisa muito forte: senti o respeito, o peso de quem está a entrar dentro de uma catedral. Ali dentro, sentia que eu pisava solo sagrado. Acredite que eu senti mais a presença de Deus ali, muitas vezes, do que em algumas igrejas. Isto é verdade! Quem não esteve lá dentro é difícil perceber isto. Mas em cada doente que nós víamos, ali na cama, completamente abandonados, despojados, sem roupa inconscientes, enquanto crente, eu olhava e via – passámos agora a Semana Santa – um Cristo desfigurado em todos aqueles cateteres, sondas, cânulas. Pude tocar as chagas de Cristo.

Enquanto profissionais, nós deixamo-nos ferir pelos espinhos da coroa de Cristo. Nós não estávamos a falar dos números da televisão. Estávamos a ver doentes, pessoas com a sua história, um rosto, família! Nesta unidade havia muitos doentes jovens, que tinham filhos, da idade dos meus filhos. Havia casos da casais internados e os filhos estavam entregues a terceiros. Nós não tratamos números, tratamos doentes concretos, com vida, e isso feriu-nos. Enquanto profissionais tornámo-nos pessoas melhores e acredito que há de sair muita coisa positiva disto que passámos.

 

AE – No II Domingo da Páscoa assinala-se o Domingo da Misericórdia. Uma dimensão que preenchia também os seus dias?

SM – Sem dúvida. A dimensão do cuidar do próximo é uma dimensão brutal! Desde o cuidado mais simples, do tocar, dar ânimo, gestos simples de higiene, até ao cuidar mais diferenciado, à responsabilidade que nós tínhamos, que é uma responsabilidade brutal, em termos humanos… Pensar que tínhamos a vida daqueles pessoas, dos nossos irmãos, nas nossas mãos é um sentimento brutal, que nos responsabiliza muito. Também com a certeza de que não estamos sós. Quando se tem a certeza de que Jesus Cristo está ali presente, sentimos a sua proximidade, tudo isso nos dá força, confiança e esperança para continuar e a necessidade de eu própria ser um testemunho para aquelas pessoas em concreto.

Na unidade Covid a maior parte das pessoas estavam inconscientes, mas na unidade de cuidados intensivos cardíacos, onde trabalho, nem todos os doentes estão sedados e ventilados. O acompanhamento, a ternura que damos aos doentes seguramente funciona como um bálsamo para o tratamento e é tão essencial… E foi essencial numa fase em que os doentes estavam privados das visitas dos familiares. Nós, profissionais, fomos tudo! Fomos isso tudo! Muitas vezes nós fomos o último conformo emocional para aquele doente. Fomos nós que segurámos a mão até ao último instante, porque não estava lá nenhum familiar para o fazer.

Sou médica, mas presto a minha homenagem aos enfermeiros! São os cuidadores por excelência, nas coisas simples. Pudemos ver nesta fase Covid o cuidado, a dignidade, os cuidados de higiene… Aqueles doentes nas unidades sempre impecáveis, imaculados. Eram sagrados!

E essa é a palavra que me fica retida nesta pandemia: a dignidade que demos à vida humana. Nós não salvámos todos os doentes, mas acompanhámos até ao fim com a máxima dignidade. Que não fiquem dúvidas!

 

Cuidar vai muito para além das “artérias entupidas e dos corações cansados”

AE – Quando é necessário dar prioridade, ver que doente tratar, que doente ser admitido numa unidade Covid onde todos os tratamentos clínicos eram possíveis para salvar vidas e outros tinham de ficar de fora, que sentimento tem o médico?

SM – Esse é um sentimento com o qual um médico intensivista tem de estar preparado para lidar. Há critérios para um doente ser admitido numa unidade de alta diferenciação. Tem de haver, de facto, uma alta probabilidade do doente poder recuperar. Caso não tenha benefício para o doente ou se tem uma baixa probabilidade, é encarniçamento terapêutico. Nesta fase em que os recursos eram escassos, esta triagem tinha de ser mais apertada. Para tratamentos mais diferenciados, como era o caso do ECMO (Extra Corporeal Membrane Oxygenation – Oxigenação por Membrana Extracorporal, ndr), na unidade onde estava a trabalhar, que são aparelhos que substituem o coração e o pulmão, houve momentos em que os critérios foram mais restritos. Não havia vagas e era preciso selecionar os doentes que tinham mais hipóteses de beneficiar dessas estratégias. Momentos duros, sim, mas houve sempre a preocupação de a todos, mesmo àqueles que não era possível salvar, dar dignidade. E foi uma coisa que eu aprendi com esta pandemia: sou cardiologista, trabalho em cuidados intensivos cardíacos, muitas paragens cardíacas e a necessidade de salvar vidas e tinha sempre este slogan na minha cabeça “bora lá salvar vidas…” Ficou-me esta noção de que, tão importante como salvar vidas, é importante acompanhar vidas até ao fim e dar dignidade à vida.

 

AE – Essa preocupação por salvar vidas está presente em todos os médicos, diria, e aconteceu numa altura em que o Parlamento decidiu avançar com a lei da eutanásia. Um paradoxo que a sociedade portuguesa viveu?

SM – É um paradoxo sobretudo porque não é exatamente isso que nós sentimos, nos hospitais. Posso dizer – e trabalho em cuidados intensivos cardíacos, com doentes muito doentes – que quando os doentes são bem cuidados, bem acompanhados, não é frequente pedirem para acabar com a vida. Eu nunca tive essa experiência. Pelo contrário: vivo muito mais a experiência do encarniçamento terapêutico, quando nós estamos a prolongar tratamentos que não deviam ser prolongados.

Foi uma infelicidade tratar um tema com esta importância numa altura destas, sobretudo quando sabemos que há um longo caminho a percorrer na construção de cuidados paliativos no nosso país. Acho que é uma discussão que poderia vir a ter lugar no fim de termos essas capacidades. Neste momento, foi um aproveitamento político.

 

 

AE – Referiu-se ao acompanhamento até aos instantes finais da vida. Como vive esse momento final, como médica e crente?

SM – O momento final é sempre um momento impactante. Independentemente da idade, mesmo que seja uma morte esperada, é sempre um momento de grande respeito.  Tranquiliza muito quando sabemos que fizemos tudo o que era possível, mas é sempre um momento impactante. Pessoalmente, gosto de ter alguns segundos com o meu doente, rezo e entrego-o a Deus.

Partilho uma das experiências que tenho, já há alguns anos, e que me pacifica muito: na unidade, nós temos muitas paragens cardíacas, o que é sempre um momento de alguma ansiedade e agitação; com o doente tecnicamente morto, ou o conseguimos recuperar ou ele vai morrer. É sempre uma grande tensão e ansiedade para a equipa, mesmo equipas experientes. Habituei-me, desde há alguns anos, enquanto me estou a preparar e a calçar as luvas, entregar a situação a Deus. Entrego a equipa e o doente na certeza de que não estou sozinha e que, em última análise, eu sou apenas um instrumento nas mãos de Deus. Não significa isso que eu não tenha de fazer tudo, ser competente e estudar muito! Claro que sim! Mas saber que Deus está ali, a acompanhar-me, dá-me aquela serenidade que me liberta a cabeça para me focar naquilo que é essencial.

Uma das coisas que fazemos sempre, em equipa, é reavaliar tudo o que fizemos, perceber se seguimos corretamente os protocolos e porque é que o doente não recuperou. Estes exercícios são bons para que não se cometam erros.

Nestas equipas de reanimação o cardiologista é o líder, é o que está comandar as operações. E, quando estamos a ver que já passou muito tempo e o doente não vai recuperar, antes de decretar a hora de morte, dirijo-me à equipa para dizer: penso que terminámos, estão todos confortáveis, vamos parar no próximo ciclo…? Numa equipa multidisciplinar em que estamos todos a dar o nosso melhor é muito importante que todos sintam que realmente o tempo acabou. E quando as coisas são feitas desta forma, habitualmente aceitamos que o Senhor da vida é Outro. E é mais fácil esta pacificação.

 

AE – Processos que implicam sempre um cuidado que integre as várias dimensões da pessoa, um cuidado integral…

SM – O doente é uma pessoa, é um todo.

Ontem, uma doente disse-me uma coisa muito interessante: estava internada por enfarte, desconfortável e eu perguntei-lhe se tinha dores, tentei perceber se estava a descompensar do ponto de vista cardíaco. Ela disse-me: doutora o coração não me dói! Estou com uma dor de alma terrível. E, de facto, é uma situação cada vez mais frequente: doentes que nos chegam com dor de alma, doentes que vêm com um segundo enfarte porque deixaram de tomar a medicação, simplesmente porque não tinham dinheiro para comprar ou porque tiveram um pico de stress ou perderam o emprego.

Hoje, enquanto profissionais de saúde, temos de estar atentos a toda esta dimensão integral da nossa sociedade, que vai muito para além das artérias entupidas e dos corações cansados.

 

Cuidar o “pulsar” da Igreja Católica

AE – Uma experiência que partilha enquanto médica, mas com a preocupação também noutro pulsar, como já partilhou numa iniciativa da Agência Ecclesia, recentemente. Porquê a preocupação por esse outro pulsar, o da Igreja Católica, e com a necessidade que existe de uma adaptação aos tempos de hoje?

 

SM –  Muitas vezes questionam-me sobre isso: com a vida ocupada que tenho, porque é que me preocupo com essas coisas?

A minha cabeça está bem arrumada quanto a isso. Sou mulher, sou mãe, sou casada e há três dimensões da minha vida que acho fundamentais: família, profissão e espiritualidade. E têm de estar as três equilibradas. Acredito que a espiritualidade, que depois leva ao serviço à Igreja e ao próximo, é determinante para que as outras duas estejam equilibradas. Diria que o meu equilíbrio emocional, o meu bem estar, vem muito da espiritualidade que encontro na Igreja. Daí esta preocupação que tenho de levar mais longe a mensagem de Jesus Cristo.

Quando se tem a proximidade com Jesus Cristo, quando se percebe que confiar e entregar-lhe a vida nos tira muito peso de cima, isto leva-me a querer que outras pessoas experienciem exatamente isto, o que é viver uma vida de proximidade com Jesus Cristo. Estou muito atenta a estes problemas da Igreja!

A pandemia é um desafio para a Igreja como para todas as instituições. Parece-me que pode ser um bom desafio.

 

AE – É uma oportunidade?

SM – É uma oportunidade que espero que seja agarrada pela Igreja.

 

AE – E ainda vamos a tempo?

Espero que sim.

Acho que estamos numa fase de grande questionamento. Toda a gente, mesmo as pessoas que não são crentes, estão numa fase de incerteza, de medo. Há uma nova abertura para questionar o sentido da vida, o transcendente, a espiritualidade, que pode não passar pelo religioso. A Igreja tem esta mensagem fantástica: anunciar Jesus Cristo, que se fez homem e morreu por nós para nos salvar. E tem de aproveitar esta grande oportunidade que lhe é dada para se fazer ouvir e para trazer esta esperança, iluminar a humanidade nesta fase tão negra que estamos a viver.

 

Mais do que chefes, são precisos líderes

AE –  Como analisa a reconfiguração da Igreja, no contexto da pandemia, as celebrações à distância… Teremos um hiato no tempo?

SM – Vou dizer o que me preocupa. As igrejas já não estavam muito cheias e a pandemia veio desvelar os inúmeros problemas que a Igreja e a sociedade tinham. O que me preocupa é se a Igreja não tem a capacidade de aproveitar esta oportunidade para se renovar. Isso sim, preocupa-me.

Precisamos mais do que nunca de lideranças na Igreja. Não queremos chefes da Igreja. Precisamos de líderes inspiradores, que promovam uma Igreja verdadeiramente sinodal. Precisamos de lideranças humildes, sinodais, que cativem leigos de valor a unir-se à Igreja, para trazer valor para dentro da Igreja. E todos, em conjunto, perspetivarmos uma igreja inserida na sociedade que estamos a viver atualmente, com todas as potencialidades que isso tem.

Temos a graça de ter um grande líder que nos diz quase tudo. O problema é fazer a translocação daquilo que o Papa diz para as nossas realidades locais. O caminho está a ser lento! Talvez mais lento do que aquilo que eu gostava… Era importante que os líderes assumam a liderança sinodal, do serviço, do colocar o bem comum à frente dos interesses até da sua pequena instituição. É absolutamente fundamental dar voz à diversidade, dentro da unidade que é a Igreja. Nos nossos ritmos, em Igreja, as pessoas que são convidadas habitualmente para dar voz são todas muito iguais, com opiniões muito semelhanças. E isto hoje em dia nas empresas não acontece! Há a preocupação de convidar pessoas com idades, género e ideologia política e interesses muito diversificados, para levar à discussão, porque é na discussão que conseguimos avançar para novas propostas.

 

AE – Mais do que repartir chefias ou quadros intermédios, a sinodalidade reclama essa diversidade e discussão?

SM – Acho que é preciso ouvir novas vozes dentro da Igreja, diversas. Sempre com o objetivo comum da unidade, mas a Igreja tem muitas realidades, muitas diversidades. E é fundamental trazer valor.

Uma das coisas que é preciso trabalhar em Igreja é a empatia, ser capaz de se colocar no lugar do outro, sentir as dores do outro. E, nós leigos, nas mais variadas profissões, fazemos isto melhor do que a maior parte do clero, por causa da sua formação e estarem mais recatados. Trazer a vida concreta, através dos leigos.

A sociedade evoluiu tanto ao longo do tempo! É impossível que uma pessoa consiga abarcar todas as áreas da sociedade. Atrair leigos com valor, com conhecimento, numa partilha multidisciplinar, muito típica da medicina mas que se pode aplicar em Igreja, pode ser um valor muito grande.

A Igreja deveria aproveitar esta oportunidade para ser mediadora, para ser pró-ativa na formação de grupos de trabalho para pensar. Estamos todos muito focados na situação de emergência, que é importante porque temos de dar de comer a quem tem fome e tratar os doentes. Mas é altura também de parar e refletir, tentar encontrar as raízes dos problemas e intervir de uma forma mais profunda. E isso só se faz com pensamento, que tem de vir de várias áreas.

 

O poder transformador da comunicação

AE – Gostava ainda de pedir o seu comentário sobre o poder transformador que tem a comunicação e o cuidado que é preciso colocar neste setor. Trata-se de um desafio para as lideranças católicas?

SM – Eu acredito que uma boa estratégia de comunicação tem um poder absolutamente transformador em qualquer organização e é crítico para a Igreja. A grande missão da Igreja é a Evangelização, que não é mais do que comunicar.

 

AE – Há dois mil anos que anda a comunicar…

SM – Exatamente! Nem sempre da melhor forma…

Temos de ser muito pragmáticos: a nossa mensagem é fortíssima. Portanto, se estamos a perder terreno, seguramente que somos nós que estamos a falhar. E é fundamental investir em comunicação. Na pandemia houve um grande investimento na comunicação na Igreja, muito focada na transmissão de eventos. Agora é preciso dar um outro passo: definir estratégias de comunicação, como qualquer empresa. Saber exatamente em que momento queremos comunicar, o quê, com planos de comunicação, que estão desde o início de toda a conceção de planos pastorais, de tudo o que se passa em Igreja, sabermos muito bem a quem queremos comunicar, o quê, em que timing. Esse é o salto que a Igreja precisa de dar.

Há outra questão importante: precisamos de uma linguagem que seja atual, adequada à nossa sociedade. Também com uma imagem renovada, que é essencial. Quanto tentamos ter um primeiro impacto forte, a imagem é importante.

Muita gente, hoje em dia, mais do que ir dentro de uma igreja expor-se, provavelmente é em casa que anda a pesquisar novos caminhos e ter uma imagem impactante pode ser uma porta aberta para depois se fazer uma caminhada de profundidade.

Não temos de ter medo de fazer estratégias de marketing e imagem renovada. Tudo isso é muito importante e acho que temos de estar atentos a todos os horizontes, não só aos crentes.

Estamos sempre a falar para não crentes e para os buscadores de Deus que andam à procura. Mas nós, Igreja, a começar por mim, precisamos todos de uma nova conversão. A conversão tem de começar primeiro dentro de nós, para depois sairmos de nós próprios e sermos uma Igreja verdadeiramente em saída.

A renovação pessoal e da própria Igreja e depois a imagem renovada, a linguagem adequada, para chegarmos a outros populações.

 

AE – Como sonha a Igreja do amanhã?

SM –  Sonho com uma Igreja que dê lugar a todos, em que todos tenham voz, que se abra a todas as realidades, às periferias. Choca-me porque estamos sempre a falar para os mesmos: os grupos são os mesmos, os jovens são os mesmos. E, se pensarmos bem, estamos sempre na linha dos mais privilegiados. É a hora de sairmos para as periferias, pensarmos os planos a partir das periferias e definitivamente acho que esta pandemia apela muito a esta necessidade de cuidar de cada pessoa, da sua dignidade, da sua integridade, e do bem comum, em harmonia com a criação. Acho que a Igreja tem de ser o exemplo!

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