A «crise relativa» nas inscrições em EMRC

“Não há fórmula mágica” para a o sucesso dos encontros de Religião e Moral na diocese de Évora. Começou como “uma brincadeira”, de duas ou três escolas, que se juntaram para realizar um encontro. Passados 14 anos, esta actividade congrega cerca de 4000 mil alunos. Em declarações à Agência ECCLESIA, o Pe. Manuel José, coordenador do 2º e 3º ciclo de EMRC na diocese eborense, sublinha que “pensámos que era essencial apostar nesta iniciativa”. Cada escola levou uma participação porque os alunos inscritos nas aulas de EMRC “são muito mais”. Algumas vozes referem que a taxa de inscrição nestas aulas é reduzida mas o Pe. Manuel José avança que a “crise é relativa”. E avança: “quando se fala de crise é porque não temos 100% de inscritos”. Na diocese de Évora, a taxa de inscrições andam pelos 48% que “corresponde à média nacional”. Tendo em conta que a disciplina é facultativa “não podemos alarmar-nos de termos esta média”. Se não fosse a possibilidade de ter uma hora livre “haveria mais que se inscreviam”. Apesar do Alentejo ser uma zona descristianizada, o coordenador realça que esta zona pode ter pessoas menos praticantes mas estas “não deixam de ter o sentido da fé cristã”. Não há muitos anos – acentua o Pe. Manuel José – “tínhamos escolas com uma média de 97% e agora andam nos 40% e a situação inversa”. Esta flutuação deve-se aos professores mas também “às circunstâncias cíclicas que acontecem em toda a parte”. A situação “não é um mar de rosas” mas “não estamos tão mal como se pensa”. E acrescenta: “estamos muito melhor que há alguns anos atrás. Não só pela estatística mas também pela qualidade das aulas e pela participação dos professores”. As aulas de EMRC contribuem para um novo humanismo. Por isso “é necessário fazer um apelo à inscrição desta disciplina” tal como faz a Comissão Episcopal da Educação Cristã na nota lançada todos os anos. Para além da mais valia em relação à religião, as aulas de EMRC proporcionam também uma “mais valia na formação humana das pessoas”. Uma possibilidade de reflectir sobre questões “da vida” e uma ajuda no “crescimento integral”. Apesar da meta ser os 100% de inscrições, o Pe. Manuel José afirma que este número “não é possível nem desejável” porque “isso significaria uma ditadura”. O facto de não haver 100% significa “uma liberdade de escolher”. E finaliza: “nós convivemos com outras religiões e outras formas de pensamento religioso”.

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